segunda-feira, 23 de abril de 2018

Turma Marielle Franco, do Instituto Rio Branco, expõe o rosto do golpe: homens, ricos e brancos 22 de abril de 2018 às 12h49 / VIOMUNDO

Formatura de diplomatas celebra Marielle. E constrange o governo e o golpe
Na presença de Temer e Aloysio Nunes, e em tempos de crimes e prisões políticas, orador cita Luther King e manifesta indignação de todas as forças políticas amantes da democracia
São Paulo – A formatura da turma 2016-2018 de diplomatas do Instituto Rio Branco, celebrada nesta sexta-feira (20), Dia do Diplomata, prestou contundente homenagem a Marielle Franco.
A turma foi batizada com o nome da vereadora do Psol do Rio de Janeiro, executada a tiros em 14 de março, junto com o motorista Anderson Gomes, que a acompanhava.
A lembrança de um crime político contra uma liderança feminista negra, que comoveu o mundo e ainda não foi esclarecido pelas autoridades, constrangeu alguns presentes “ilustres” à cerimômia realizada no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores: o presidente Michel Temer, responsável por uma intervenção militar tido como desastrosa no Rio de Janeiro, e o ministro titular da pasta, Aloysio Nunes Ferreira.
O orador da turma, Meinardo Cabral de Vasconcelos Neto, conseguiu discreta e indiretamente provocar constrangimento, ao citar em seu discurso de sete minutos o líder da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, Marthin Luther King, na abertura de sua intervenção.
“É sempre o tempo certo de fazer o que é certo. Essas foram palavras de Martin Luther King, preso, em Birmingham, Alabama, após organizar passeatas de resistência contra a discriminação racial. A turma Marielle Franco – e Marielle lutou também contra variadas formas de segregação – escolheu prestar esta homenagem porque entendeu que era certo. E havia de ser também o tempo certo. Nós tivemos de escolher prestá-la, é verdade, quando quase nada estava esclarecido – e muito resta, infelizmente, por esclarecer”, declarou Vasconcelos Neto.
“Com a convicção de que o tempo, por si, não curará nossos males nem nos conduzirá inevitavelmente à justiça, escolhemos não nos omitir”, acrescentou, assinalando que a indignação com morte de Marielle deve inspirar a carreira diplomática a atuar, como ela, “como instrumentos da luta por uma sociedade mais justa e igualitária”.
O momento em que a liderança política mais popular do país, e uma das mais importantes do mundo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra também na condição de preso político, pode representar o segundo constrangimento da festa.
“Na mesma ocasião (em que foi preso), Martin Luther King nos lembrava: uma injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todos os lugares. Não é por outro motivo que se unem hoje, com a mesma indignação, Senhor Presidente, todas as forças políticas amantes da democracia, pois todas elas manifestaram ao mesmo tempo consternação e solidariedade. Aqui estamos para expressar nosso repúdio a toda forma de violência e para reforçar nossa crença nas instituições democráticas”, acentuou o diplomata.
Desigualdade
A embaixadora Thereza Maria Machado Quintella, paraninfa da turma e primeira mulher formada pelo Instituto Rio Branco a se tornar embaixadora no Brasil, elogiou a escolha da turma.
Eleitora de Marielle, Thereza lembrou sua luta para a equidade de gênero e criticou o governo pela pequena presença feminina no corpo diplomático e nos principais postos do Ministério das Relações Exteriores de Temer – nenhum dos 12 cargos mais importantes do ministério é ocupado por mulher – como destacou o blog Socialista Morena.
“O que mais preocupa atualmente é a ausência de mulheres na estrutura de comando do Itamaraty. Só espero que isso seja conjuntural, e não sinal de retrocesso”, criticou Thereza Quintella.
A turma que se formou nesta sexta tem 30 diplomatas, dos quais nove são mulheres, como observa o blog:
Num país que tem Michel Temer e Aloysio Nunes Ferreira entre os articuladores do golpe de 2016, a formatura de uma nova safra de diplomatas acabou proporcionando uma alentador ato de desagravo à sua tão agredida democracia. Afinal, o golpe teve como primeira etapa requintes de misoginia, ao oprimir e destituir por força de uma manobra jurídico, midiática e parlamentar a primeira presidenta eleita da República. E em sua etapa presente, emprega sua estrutura judiciária encarcerando o presidente que a antecedeu, o de maior taxa de popularidade da história da República e potencial futuro presidente se puder disputar a eleição de outubro. Tirar a vida de Marielle e a liberdade de Lula se encaixam cruelmente na condição dessas injustiças “que ameaçam a justiça em todos os lugares”.

domingo, 22 de abril de 2018

Buzzfeed desmente farsa da direita: “Gleisi não pediu ajuda a terroristas islâmicos no vídeo para a Al Jazeera” 18 de abril de 2018 às 20h43

Nova fake news da direita contra Gleisi revela preconceito sobre o mundo árabe
Sem argumentos para defender no mundo real o golpe em curso no Brasil, a direita no Congresso Nacional vive de criar factoides para alimentar a ação dos seus robôs nas redes sociais, sempre ativos no ataque a reputações de lideranças da esquerda.
A última falsa polêmica é a convocatória do mundo árabe para atacar o Brasil, supostamente feita pela presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).
O blog “Diário do Brasil”, site reconhecidamente propagador de fake news, foi o primeiro a publicar a mentira, às 8h42 desta quarta-feira (18).
Com base unicamente nessa publicação, o deputado Major Olímpio (PSL-SP) anunciou com estardalhaço que denunciaria Gleisi Hoffmann à Procuradoria-Geral da República e pediria a cassação do seu mandato e do registro partidário do PT.
O motivo: a petista estaria insuflando o Estado Islâmico para atacar o Brasil.
A partir daí a extrema-direita ficou ouriçada nas redes e diversos parlamentares na Câmara e Senado se revezaram na tribuna para atacar a presidenta do PT, que tão somente deu uma entrevista à emissora Al Jazeera, do Catar, na qual denunciou o golpe contra a democracia brasileira e a condição de preso político do ex-presidente Lula.
A verdade não demorou a surgir.
O portal BuzzFeed News desmentiu a fake news em matéria publicada às 15h07.
“Gleisi NÃO pediu ajuda a terroristas islâmicos no vídeo para a Al Jazeera” é o título da matéria, que aponta alguns perfis responsáveis pela disseminação da mentira.
Na Câmara, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) foi um dos que desmentiram a farsa e cobrou do presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) que as injúrias contra a senadora petista fossem retiradas das notas taquigráficas.
“Esses deputados reverberaram infâmias proferidas no plenário do Senado pela senadora Ana Amélia Lemos, atribuidas à senadora Gleisi Hoffmann pelo simples fato de ter dado uma entrevista à TV Al Jazeera. Se fosse a BBC de Londres, talvez não houvesse esse rebuliço todo. Se fosse a uma rádio ou TV de Israel, talvez não houvesse esse rebuliço todo. Mas se trata de um órgão de comunicação árabe”, salientou Damous.
“Além da quebra de decoro por ofensas a uma colega, estamos vendo islamofobia, racismo, falta de respeito com o povo árabe e cerceamento ao direito parlamentar, assegurado constitucionalmente à senadora Gleisi Hoffmann, de emitir uma opinião que eu endosso: o presidente Lula, o mundo todo sabe, é um preso político. O presidente Lula é vítima de perseguição política por um setor nazifascista do Judiciário e do Ministério Público”, complementou o parlamentar do Rio de Janeiro.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) registrou sua solidariedade com Gleisi Hoffmann, se disse surpresa e indignada com o episódio e também mencionou a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS).
“O ataque se dá, sobretudo, pelo preconceito à comunidade islâmica, à comunidade árabe no Brasil e no mundo. Infelizmente o Rio Grande do Sul tem uma senadora, Ana Amélia Lemos, que tem fomentado o ódio. O meu repúdio a essa senadora que fomenta o ódio e o desrespeito”, enfatizou Rosário

João Maneco: Ana Amélia se “esqueceu” que FHC foi moído por jornalista da Al Jazeera durante entrevista 18 de abril de 2018 às 21h36 / Viomundo

Waldemir Barreto/Agência Senado e reprodução do You Tube
UMA RESPOSTA A ANA AMÉLIA
por João Maneco, especial para o Viomundo
Depois de envergonhar o povo gaúcho celebrando o uso de relhos por fascistas, a senadora Ana Amélia (PP), agora, envergonha a profissão de jornalista ao associar a rede Al Jazeera ao terrorismo.
Ao fazer isso, Ana Amélia demonstra seu péssimo nível de informação o que, convenhamos, é extremamente desabonador para quem, como ela, está senadora, mas se apresenta como uma profissional de imprensa.
Talvez Ana Amélia não saiba, porque a paz não é o seu campo, mas o Prêmio Nobel da Paz de 2016, o colombiano Juan Manuel Santos, já concedeu entrevista à Al Jazeera.
Talvez Ana Amélia não se lembre, porque não lhe convém, que Fernando Henrique Cardoso foi moído por jornalista da Al Jazeera durante uma entrevista.
Talvez Ana Amélia não saiba, porque está mais para Trump do que para Obama, mas o ex-presidente americano, e também Prêmio Nobel da Paz, é expectador assíduo da Al Jazeera.
Talvez Ana Amélia não se  lembre, porque sempre esteve mais para a censura do que para a resistência, mas a Al Jazeera recebeu, em 2003, uma homenagem do grupo britânico Index on Censorship (Índice de Censura) por sua independência numa região onde maior parte da mídia é controlada pelo Estado.
Talvez Ana Amélia não saiba, porque prefere veículos parciais, que o prêmio britânico foi concedido à Al Jazeera quando, “a mesma qualidade [de informação da emissora], irritou governos árabes e os Estados Unidos” (palavras da agência Reuters).
Mas se Ana Amélia não sabe, vamos informá-la: a Al Jazeera atinge 35 milhões de domicílios árabes; e, desde sempre, sofre tentativas silenciamento por parte de governos truculentos e antidemocráticos que fazem as mesmas acusações da senadora à emissora do Catar.
Ah, e talvez seja importante, ainda, dizer à senadora Ana Amélia que a Federação Internacional de Jornalistas condena veementemente as tentativas desses governos.
Por fim, talvez Ana Amélia não saiba, porque deve considerar a ONU “coisa de comunista” como os seus aliados no Congresso, que a Organização das Nações Unidas considera “inaceitáveis” as tentativas de silenciar a Al Jazeera, classificando-as como “ataques à liberdade de imprensa e à liberdade da informação”.
Agora, pensando melhor, acho que a senadora Ana Amélia também não sabe o que é liberdade de imprensa e de informação.

sábado, 21 de abril de 2018

Com o golpe, Brasil ajuda EUA a desmontar bloco da América do Sul 20 de abril de 2018 às 21h01 /VIOMUNDO

Brasil e outros 5 países suspendem participação na Unasul, dizem fontes
BRASÍLIA (Reuters) – O Brasil junto com Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru anunciaram na quinta-feira que irão suspender por tempo indefinido sua participação na União das Nações Sul-Americanas (Unasul), informaram à Reuters fontes nesta sexta-feira.
A decisão de suspender a participação na organização foi tomada em Lima, em uma reunião à margem da Cúpula das Américas.
De acordo com as fontes, diplomatas se reuniram com a intenção de tentar encontrar uma solução para a paralisia do bloco, mas sem sucesso.
O grupo de seis países —que reúne as nações mais ricas da região— tenta uma ação mais radical para forçar uma ação da Unasul.
Os seis cobram a indicação do embaixador argentino José Octávio Bordón como novo secretário-geral.
Bordón foi indicado pela Argentina no início do ano passado e foi apoiado pelo Brasil e pelos outros países do grupo.
O governo brasileiro defendia que a presença do argentino à frente do bloco diminuiria o viés político da Unasul, até então dominada pelos países ditos bolivarianos.
No entanto, não houve consenso para a nomeação de Bordón e, desde então, o bloco está praticamente inativo.
A divisão entre os chamados bolivarianos e conservadores, que hoje domina a organização, impede que sejam tomadas decisões por consenso, como exigido pelo estatuto do bloco.
Segundo uma fonte do Itamaraty, que pediu para não ser identificada, a nomeação de Bordón como secretário-geral está sendo bloqueada pela Venezuela, embora isso nunca tenha sido colocado de forma aberta nem tenha sido apresentada uma alternativa.
Ao mesmo tempo, disse a fonte, os países não conseguem consenso para suspender a Venezuela como fizeram no Mercosul.
A decisão do Brasil e dos outros cinco países de suspender sua participação na Unasul “é uma tentativa de se fazer alguma coisa, encontrar uma solução”, disse a fonte do Itamaraty.
“Ninguém quis ainda decidir sair da Unasul, mas se nada acontecer alguém vai acabar saindo”, acrescentou.
Em carta enviada ao chanceler da Bolívia, Fernando Huanacuni —que ocupa a presidência pro-tempore do bloco—, os ministros das Relações Exteriores dos seis países informaram que deixariam de participar das atividades da Unasul a partir da última quarta-feira.
Na quinta-feira, o Itamaraty enviou um comunicado aos demais órgãos do governo brasileiro avisando da decisão. De acordo com o texto, ao qual a Reuters teve acesso, os seis países trataram, em sua carta a Huanacuni, de um “conjunto de problemas relacionados ao funcionamento da organização” mas, principalmente da situação de “acefalia” do bloco.
Na prática, a Unasul está paralisada há um ano e meio.
A suspensão na participação foi confirmada por fontes de outros governos envolvidos no movimento.
“Está confirmado, foi enviada uma carta à Bolívia comunicando a suspensão”, disse à Reuters uma fonte da chancelaria paraguaia.
Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores do Peru reforçou os motivos apresentados pelo membro do Itamaraty à Reuters.
“A Unasul funciona por meio de consenso e dentro de Unasul há tais discrepância entre os membros sobre as visões políticas e econômicas que a torna inoperante”, disse a fonte peruana.
“É bem difícil chegar a um consenso quando há diferenças de opiniões tão marcadas… está implícito que este mecanismo já não tem sentido”, acrescentou. “Como não resolve nada, (a Unasul) acaba sendo um gasto supérfluo, pagando cotas por una coisa que não serve.”
Uma porta-voz da chancelaria argentina confirmou à Reuters o envio da carta ao chanceler boliviano.
“O novo é a carta que enviamos ao chanceler da Bolívia, expressando a desconformidade”, disse. “Não participar das instâncias e atos enquanto estiver tudo assim, sem secretário-geral e com a organização parada”, acrescentou.
Na chancelaria chilena, informaram que a decisão de não participar da Unasul valerá “até que não existam resultados concretos que garantam o funcionamento adequado da organização”.
O chanceler boliviano, no entanto, disse não ter sido comunicado oficialmente da suspensão.
“Não temos nenhuma informação oficial… os mecanismos e os procedimentos internos requerem formalidades”, disse Huanacuni, em Quito.
“Mas lembremos que a integração sul-americana no que ser refere, por exemplo, à (questão) migratória é uma realidade”, acrescentou. “A Unasul é uma realidade geográfica e histórica.”
A Unasul foi criada em 2008 por iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ex-presidentes da Venezuela Hugo Chávez e da Argentina Néstor Kirchner, com a intenção de aumentar a integração regional.
As mudanças dos governo dos países, no entanto, com um viés mais de direita, como Paraguai, Argentina, Brasil, Peru e, agora, Chile, mudaram a configuração do bloco e selaram a divisão na região.
Reportagem adicional de Marco Aquino, em Lima; Daniela Desantis, em Asunção; Alexandra Valencia, em Quito; Nicolás Misculin, em Buenos Aires; e Antonio de la Jara, em Santiago

domingo, 15 de abril de 2018

JB quer estatizar os bancos! Se a SELIC cai por que os juros geram os lucros mais altos do mundo?

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Conversa Afiada reproduz editorial do Jornal do Brasil, que concorre com o Globo Overseas, que, como se sabe, sobrevive de juros:

Estatizar os bancos para o Brasil crescer


Diante da queda histórica da Selic para 6,5%, a mais baixa de toda a história, resta claro que o oligopólio que forma o sistema bancário brasileiro, composto por quatro famílias que administram 60% da base monetária, não se sensibiliza diante do caos instalado na economia, cujo principal motivo são as taxas de juros que cobram, não só de quem cria riquezas e gera empregos, mas também de 62 milhões de trabalhadores que se encontram inadimplentes junto aos bancos e financeiras.

Estando claro que nada temos contra a atuação de bancos privados em nosso regime econômico, somos, sim, radicalmente contra o oligopólio que impera em nosso país. Não convém deixar de mencionar que a causa do endividamento público nos últimos 20 anos deveu-se, sobretudo, às taxas de juros que o Estado brasileiro pagou aos bancos e, na última linha, aos rentistas que, sem nada produzir, vivem do suor alheio. 

Não há justificativa para que as quatro famílias continuem cobrando, das empresas e dos trabalhadores deste país, juros acima do que cobra qualquer agiota que atua na clandestinidade. E ainda gozam do privilégio de não pagar imposto sobre os generosos dividendos. Não é possível - e já provamos neste jornal – que à revelia de qualquer fundamento macroeconômico e/ou político, as taxas praticadas possam continuar sendo de 400% ao ano! 

Mas os bancos brasileiros, tamanho o poder que possuem, não se sensibilizam com a situação calamitosa causada por eles e, assim, como donos do país, continuam cobrando o que querem. E, claro, com apoio do Banco Central, cujos presidentes são sempre funcionários dos bancos que formam o oligopólio. Todos fazendo vistas grossas diante da criminosa imposição da compra de seguros, consórcios e outros penduricalhos sobre os tomadores de financiamento. Um escárnio. 

Em nenhum país do mundo há tamanha aberração e permissividade. E, o mais grave, com o olhar complacente da Justiça, pois, na maioria das ações contra as empresas e trabalhadores, dá-se ganho de causa aos bancos, jogando o devedor no precipício da desesperança, diante dessa injustiça “legalizada”. Da mesma forma, quando os bancos são perdoados de dívidas, como foi o caso do Itaú, que teve perdoada, no CARF, dívida fiscal de R$ 25 bilhões. Santander, Bradesco e Safra também estão sendo processados por suposta compra de votos no CARF para anular multas bilionárias. 

Mesmo com esse alto índice de inadimplemento no país, os lucros dos bancos não diminuem, tamanha a brutalidade das taxas que cobram. E, quando um cliente para de pagar, porque não consegue suportar a agiotagem praticada, os bancos conseguem na Justiça o valor supostamente devido. Nos acordos, os valores recebidos voltam como lucro para engordar ainda mais os seus balanços. Inacreditável! 

É preciso insistir: os lucros alcançados pelas quatro famílias são maiores do que qualquer outro banco localizado nos países ricos, a começar pelos Estados Unidos. Nada se compara aos ganhos ilegais auferidos por esse oligopólio bancário. O estrangeiro Santander tem seu maior lucro global nas operações brasileiras. O Congresso, que devia ser a voz da nação, faz ouvido de mercador e não se pronuncia, permitindo que os brasileiros continuem sendo sangrados pelos bancos. 

A população sofre por causa dos bancos. As empresas, sufocadas pela recessão ainda não de todo superada no governo Temer, não sabem a quem recorrer para poder continuar sobrevivendo. Se, de um lado, os impostos sufocam, do outro, os juros as condenam à inadimplência e ao fim de suas atividades. 

Os bancos, no modelo atual, em geral com respaldo de decisões judiciais, são os principais causadores do desemprego e do crescimento zero de nossa economia. Trata-se, portanto, do maior problema do Brasil, cabendo ao próximo presidente da República agir, de forma firme, contra o oligopólio existente. Não vimos, ainda, salvo Ciro Gomes, nenhum pré-candidato abordar o tema e quais as medidas que devem ser tomadas contra os quatro bancos que destroem a economia e matam o futuro da nação. 

Em nada o oligopólio bancário contribui para o desenvolvimento. Ao contrário. Uma das medidas que poderiam ser tomadas pelo próximo presidente seria, assim como ocorre nos Estados Unidos, a proibição de bancos nacionais. Em outras palavras, só poderiam atuar em um estado da Federação, o que diminuiria o poder das quatro famílias, e, definitivamente, liquidaria com o monopólio existente. Melhor, ainda, seria um incentivo à criação de bancos regionais, também no exemplo dos Estados Unidos (mais de 10 mil bancos), como tínhamos aqui nos anos 50 e 60. Nessa época, cada cidade de porte médio possuía um ou dois bancos locais. 

O oligopólio demonstra não ser sensível às demandas da sociedade por juros mais baixos e linhas de crédito em condições suportáveis pelos trabalhadores e empresas. Mas se nada for feito para estancar a sangria causada pelos bancos Itáu, Bradesco, Santander e Safra, outra solução não há: a estatização do sistema bancário. Porque somente sem eles nossa economia poderá voltar a crescer.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

INÍCIO DIREITOS HUMANOS DESIGUALDADE Pobreza extrema aumenta 11% no último ano; economistas culpam trabalho informal

Levantamento foi baseado nos dados atualizados sobre renda e desigualdade, publicados nesta quarta-feira (11) pelo IBGE

Brasil de Fato | São Paulo (SP)
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O Banco Mundial considera que renda individual e diária de US$1,90 ou menos caracteriza pobreza extrema / Rovena Rosa/Agência Brasil
O número de pessoas em situação de extrema pobreza no Brasil passou de 13,34 milhões, em 2016, para 14,83 milhões no ano passado. A informação, que revela um aumento de 11,2% no índice, foi levantada pela empresa LCA Consultores com base nos dados da Pesquisa de Rendimento divulgada na quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para chegar ao dado, a consultoria adotou a linha de corte do Banco Mundial, que estabelece a renda domiciliar por pessoa, por dia, de US$1,90 como limite para a pobreza extrema nos países em desenvolvimento.
Segundo especialistas, o aumento da pobreza extrema está relacionado, principalmente, ao aumento do trabalho informal. O estudo do IBGE analisa os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada em fevereiro deste ano, que mostrou que, em dezembro de 2017, os trabalhadores informais representavam 37,1% da população ocupada no país. De acordo com o IBGE, é a primeira vez na história que o número de trabalhadores sem carteira assinada superou o conjunto de empregados formais.
Em entrevista ao Valor Econômico, publicada nesta quinta-feira (12), o economista Cosmo Donato, da LCA Consultora, ressaltou o fechamento de postos com carteira assinada. "No lugar de empregos [com garantias trabalhistas e pisos salariais], o mercado de trabalho gerou ocupações informais, de baixa remuneração e ganho instável ao longo do tempo”, destacou.
Segundo Adriana Marcolino, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento de vagas sem carteira assinada, junto ao não aumento real do salário mínimo, tiveram um grande impacto no aumento da desigualdade social.
"No mercado de trabalho estamos com altas taxas de desemprego, e o emprego que está sendo gerado é de baixa qualidade, é informal, instável, com salários menores. Esses elementos todos compõem o quadro de aumento na desigualdade", destacou.
De acordo com os dados do IBGE, em 2017, o grupo formado por 1% da população mais rica do país ganhou 36,1 vezes mais do que a metade mais dos pobres, tendo um rendimento médio mensal de R$27.213. A pesquisa mostra também que a parcela dos 5% mais pobres da população brasileira teve um rendimento médio de R$40 por mês em 2017, o que representa uma queda de 18% em relação ao ano anterior (R$49). Já para a população que compõe o 1% mais rico do país, o rendimento encolheu em apenas 2,3%.
A diminuição da renda advinda do trabalho formal também foi um dos motivos levantados pelo coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, para essa desigualdade, durante a divulgação do suplemento especial da Pnad Contínua. "A qualidade do emprego foi baixa em 2017, com a redução da taxa de desocupação por meio do trabalho informal", disse.
No entanto, segundo Marcolino, a pesquisa não reflete a real desigualdade no país, uma vez que o IBGE tem um limite de dados captados, se utilizando apenas das informações de renda gerada por emprego, Previdência, pensão, aluguel ou políticas públicas, como o programa Bolsa Família.
"O problema dessa estatística é que ela não pega os super ricos do Brasil, que tem investimentos na bolsa, isso só seria captado se o IBGE fosse articulado com o imposto de renda. Então, na verdade, a desigualdade no Brasil é muito maior do que a gente falava" afirmou.

Bolsa Família

 
A redução no número de beneficiários do programa Bolsa Família no último ano, pelo governo de Michel Temer (MDB), também foi apontada como um dos principais motivos para o aumento da desigualdade social. O IBGE apontou que pelo menos 326 mil domicílios deixaram de receber a renda do programa no ano passado.
A região Nordeste foi a mais impactada pelos cortes: ao todo, 131 mil domicílios nordestinos deixaram de contar com a renda extra. Paralelamente, a região também sofreu com o maior aumento de desigualdade, tendo seu índice de Gini, principal medida da desigualdade da renda, elevado de 0,555 para 0,567 entre 2016 e 2017. Para Marcolino, ambas as estatísticas estão relacionadas.
"Na região Nordeste, o salário mínimo, do Bolsa Família e da formalização do trabalho estavam tendo um impacto importante para reduzir as desigualdades. Com os cortes no Bolsa Família, as pessoas em pobreza extrema, que agora vivem simplesmente de uma pequena renda de trabalho, somente o fato do desemprego aumentar e ela ser demitida, já a coloca em uma situação de vulnerabilidade muito grande", afirmou.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Xadrez do pós-Lula e o fator Ciro, por Luís Nassif O Jornal de todos Brasis Xadrez do pós-Lula e o fator Ciro, por Luís Nassif 874 SEG, 09/04/2018 - 00:50 ATUALIZADO EM 09/04/2018 - 08:29

Ponto 1 – o avanço do Estado de Exceção

Se havia alguma dúvida sobre o Estado de Exceção, deixou de existir no julgamento do habeas corpus de Lula.
Não se alimentem esperanças com novos habeas corpus, novas discussões sobre prisões em 2ª instância, qualquer atitude digna do STF (Supremo Tribunal Federal) reconhecendo direitos de Lula. O último julgamento demonstrou que a única lógica que vigora no STF é a da prisão e/ou impedimento eleitoral de Lula.
 A cena final, do Ministro Marco Aurélio espicaçando a presidente Carmen Lúcia, colocando a nu suas manobras processuais,  comprova que ela perdeu até o mais básico dos fatores de contenção: o pudor. Se, na próxima 4ª feira, Marco Aurélio de Mello conseguir colocar em votação a questão das ADCs (Ação Direta de Constitucionalidade) sobre prisão em 2ª instância, ou a Ministra Carmen Lúcia tem um ataque de pânico, ou alguém Ministro pede vista ou a douta Ministra Rosa Weber mudará de opinião, em cima de um novo voto escrito em puro javanês.
Aliás, a contra-ofensiva de Carmen Lúcia foi a de pautar o julgamento de habeas corpus de Antonio Palocci e Leo PInheiro. Como HCs têm prioridade, echa a pauta para o julgamento das ADCs. Ontem, os bravos juristas da Globonews não se cansaram de elogiar a esperteza de Carmen.
Os distintos Ministros rasgaram as respectivas becas e as posições de dignidade, por lá, sempre serão minoritárias.
Esse liberou geral decorre da crise do Executivo. Sem Executivo forte, abrem-se os portões dos estábulos e de potrinhos a cavalos velhos, todos saem derrubando as cercas e gozando da liberdade de um país com a Constituição pisoteada.

Ponto 2 – a inviabilidade da pax lulista

A grande contribuição de Lula à história, além do combate à miséria, foi a visão nacional de busca de consensos. Esse trabalho permitiu 10 anos nos quais o país avançou em políticas educacionais, tecnológicas, industriais, regionais, nas políticas sociais de ponta.
Trouxe lideranças empresariais de visão – como Luiz Furlan, Roberto Rodrigues -, diplomatas experientes, grandes formuladores de políticas sociais, movimentos sociais e, gradativamente, empurrou o governo para o centro-esquerda.
A polarização alimentada pela mídia explodiu esse consenso. Um Executivo extremamente fraco e ingênuo, conferindo autonomia total ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, descuidando-se do STF, do Judiciário, permitiu o avanço ilimitado das corporações. Elas simplesmente ocuparam o vácuo deixado pelo Executivo e ampliado pelo bate bumbo da mídia.
O primeiro passo para a volta da governabilidade, portanto, será recuperar o poder do Executivo. E, aí, sem a ingenuidade de supor ser possível recuperar o país sem conflitos políticos.

Ponto 3 – o papel restaurador das eleições e o caminho da governabilidade

Há dois desafios pela frente.
O primeiro, a garantia das eleições. Nos próximos meses haverá uma tentativa insana de diversos setores para adiar as eleições.
O segundo, a garantia da governabilidade.
Eleições têm o condão de resetar o HD institucional. O presidente sempre dispõe de poderes amplos, desde que saiba utilizá-los, especialmente em relação às corporações públicas que assumiram as rédeas do Estado.
Pela Constituição, Procuradores Gerais são demissíveis a qualquer momento; a lista tríplice para Procurador, uma invenção do próprio Ministério Público, não prevista na Constituição, certamente será abolida. Aliás, no site da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) fica claro qual o objetivo maior da lista tríplice: “O chefe do Executivo pode avaliar os anseios da carreira antes de repassar ao Senado Federal o nome do indicado”.
Com o fim da Lista Tríplice, os anseios da carreira voltarão a ser o de bem servir ao país e à Justiça, e a condenar as demonstrações vergonhosas de poder deslumbrado, de atos arbitrários de um poder que, por algum tempo, perdeu a noção de sua missão.
Um Ministro da Justiça com autoridade enquadra a Polícia Federal. Haverá um Congresso horroroso, mas manejável com um mínimo de habilidade política.
Há, enfim, a figura do Conselho da República, que poderá ser invocado e se tornar o fórum para uma repactuação política. Previsto na Constituição, todos os integrantes são membros do Executivo e do Legislativo ou indicados por quem detenha votos, sem risco de apropriação pelas corporações do Estado ou pelo Partido do Judiciário.
Integram o Conselho:
•          O Vice-Presidente da República
•          O Presidente da Câmara dos Deputados
•          O Presidente do Senado Federal
•          O Líder da Maioria na Câmara dos Deputados
•          O Líder da Minoria na Câmara dos Deputados
•          O Líder da Maioria no Senado Federal
•          O Líder da Minoria no Senado Federal e o líder do Congresso, sendo nomeado pelo órgão constituinte.
•          O ministro da Justiça
•          6 cidadãos brasileiros natos, com mais de 35 anos de idade, sendo 2 nomeados pelo Presidente da República, 2 eleitos pelo Senado Federal e 2 eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.

Ponto 4 – Ciro os novos blocos de poder

O ponto central é quem irá para o 2º turno e como montar um novo pacto de governabilidade. Com a fragmentação partidária, o 1º turno das eleições será uma confusão só.
Se tivesse uma bússola menos descontrolada, porta estaria aberta para Ciro Gomes. Ele tem algumas vantagens relevantes, especialmente para a atual quadra da história:
  • É afirmativo, às vezes até em excesso;
  • Tem uma ótima percepção sobre políticas públicas, com noção clara sobre as complementaridades Estado-iniciativa privada, papel das políticas sociais, da educação.
  • Tem um projeto nacional, em consonância com os desenvolvimentistas históricos e com os segmentos industriais.
  • Tem noção clara sobre o excesso de poder de corporações e mídia.
  • Empunhou desde cedo a bandeira da anticorrupção contra o PMDB e o PSDB.
  • Não foi envolvido em escândalos até agora.
  • Tem histórico de lealdade com os governos aos quais serviu, incluindo o de Lula.
Seu problema é mirar vários alvos simultaneamente e acabar se enrolando nas suas estratégias.
  • Para não perder a onda anticorrupção, costuma endossar a Lava Jato e os julgamentos do TRF4.
  • Ao mesmo tempo, sabe que Lula tem sido alvo de perseguição política por parte do Judiciário. Costuma se enrolar tendo que defender Lula, sem se expor ao pensamento monofásico dos punitivistas.
  • Apesar do seu histórico nos governos petistas, não quer se contaminar junto às camadas antipetistas da população. Quer representar o gestor moderno, que o PSDB sempre prometeu a seus leitores, sem nunca conseguir entregar. E está fugindo do PT como o diabo da cruz.
E aí entra em uma sinuca.

Ponto 5 – os dilemas de Ciro

As guerras políticas dos últimos anos, estratificaram dois blocos antagônicos: de um lado, o petismo baleado; do outro, Judiciário, Ministério Público, estamento militar, mídia e grupos empresariais, tendo em comum apenas o antipetismo mais visceral – que, aliás, serviu de álibi para a implantação do Estado de Exceção.
O novo presidente terá que montar um novo pacto, romper com a polarização e ter energia suficiente para enquadrar os recalcitrantes.
Ciro conta com a possibilidade de, indo para o 2º turno com um candidato de direita (Bolsonaro ou Alckmin), a esquerda petista não ter outra alternativa senão a de votar nele.
A questão é chegar ao 2º turno. E Ciro anda criando problemas de graça para sua candidatura.
Tempos atrás, teve oportunidade de fechar uma dobradinha com Fernando Haddad – este, de vice. Seria o time dos sonhos para as esquerdas e os desenvolvimentistas. Para fora, Ciro fazendo política e recompondo a base de aliança para garantir a governabilidade. Para dentro, Haddad suprindo um dos grandes problemas de Ciro: a falta de paciência com os movimentos sociais e os sindicatos. E administrando o dia a dia dos planos de governo.
Como nem Haddad, menos ainda Ciro, podem ser confundidos com o petismo tradicional – aquele que tira o sono da classe média -, seria uma maneira de ampliar as alianças sem jogar fora o acervo precioso do lulismo.
Mas, ao que tudo indica, Ciro está abrindo mão dessa possibilidade de receber parte do legado de Lula.
Com a proliferação de candidaturas, corre o risco de não passar para o 2º. O ex-Ministro Joaquim Barbosa deverá repartir com ele a colheita da anticorrupção.
Lula está francamente contrariado com sua falta de solidariedade.
No palanque de São Bernardo, os elogios que Lula fez a Guilherme Boulos, do PSOL, apresentando-o como o novo na política, foi uma forma indireta de cutucar Ciro.
Da parte de Haddad, sua presença discreta no palco foi decisão pessoal, para não parecer estar explorando politicamente uma tragédia política, como ocorreu com os funerais de Eduardo Campos. Mas sua posição é de total acatamento do que Lula determinar. Se quiser que seja candidato a presidente, será; se quiser que se apresente como vice de Ciro, irá; se quiser que se candidate a Senador, se candidatará.
Esses são os dados que deverão ser jogados até fins de maio, quando será dada a largada para as elelições.