sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Home Em Pauta Texto exemplar da Juíza Federal Raquel Domingues do Amaral

Texto exemplar da Juíza Federal Raquel Domingues do Amaral

“Sabem do que são feitos os direitos, meus jovens?

Sentem o seu cheiro?
Os direitos são feitos de suor, de sangue, de carne humana apodrecida nos campos de batalha, queimada em fogueiras!
Quando abro a Constituição no artigo quinto, além dos signos, dos enunciados vertidos em linguagem jurídica, sinto cheiro de sangue velho!
Vejo cabeças rolando de guilhotinas, jovens mutilados, mulheres ardendo nas chamas das fogueiras!
Ouço o grito enlouquecido dos empalados.
Deparo-me com crianças famintas, enrijecidas por invernos rigorosos, falecidas às portas das fábricas com os estômagos vazios!
Sufoco-me nas chaminés dos Campos de concentração, expelindo cinzas humanas!
Vejo africanos convulsionando nos porões dos navios negreiros.
Ouço o gemido das mulheres indígenas violentadas.
Os direitos são feitos de fluido vital!
Pra se fazer o direito mais elementar, a liberdade,
gastou-se séculos e milhares de vidas foram tragadas, foram moídas na máquina de se fazer direitos, a revolução!
Tu achavas que os direitos foram feitos pelos janotas que têm assento nos parlamentos e tribunais?
Engana-te! O direito é feito com a carne do povo!
Quando se revoga um direito, desperdiça-se milhares de vidas …
Os governantes que usurpam direitos, como abutres, alimentam-se dos restos mortais de todos aqueles que morreram para se converterem em direitos!
Quando se concretiza um direito, meus jovens, eterniza-se essas milhares vidas!
Quando concretizamos direitos, damos um sentido à tragédia humana e à nossa própria existência!
O direito e a arte são as únicas evidências de que a odisseia terrena teve algum significado!”

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A verdadeira razão da queda da inflação no governo Temer / Pragmatismo Político/22/02

Você sabe o que derrubou a inflação no atual governo de Michel Temer? A razão, pouco alardeada, seria menos trágica se não fosse tão verdadeira

razão da queda da inflação no governo Temer
Juliane Furno*, Brasil de Fato

Recessão e desemprego derrubam inflação e devolvem o poder de compra aos brasileiros”. Essa frase, veiculada no jornal da Globo News, surtiu ironias e piadas na internet em abril de 2017. Seria menos trágica se não fosse tão verdadeira. O problema do enunciado é a ausência de problematização política.
Inflação é um fenômeno econômico que decorre da “Lei da Oferta e da Procura”. Por exemplo, se na feira tem poucas pessoas que oferecem tomate e muitas pessoas que querem comprar, o seu “preço” vai aumentar. Se, por outro lado, de uma hora para outra, a tarifa da energia elétrica subir, isso impactará na inflação pois quase todos os produtores vão repassar esse aumento da conta de luz no preço final das suas mercadorias.
Assim, o preço da cerveja sobe para o consumidor final porque o dono do boteco tem que repassar para alguém o aumento da conta de energia por ter deixado as cervejas gelando no freezer, que é ligado na tomada; logo, gasta luz.
A inflação cresceu bastante no Brasil em 2015. Os economistas liberais e de direita verbalizaram seu receituário para reequilíbrio dos preços: aumentar a taxa básica de juros, causar recessão econômica, aumentar o desemprego e reduzir os salários.
Para não dizer que estou exagerando, o economista liberal Samuel Pessoa escreveu a seguinte frase: “quanto mais rápida for a queda do salário real, mais rapidamente a inflação (…) convergirá para a meta”. Além dessa, outras frases comuns no mesmo período eram “controlar a inflação tende a envolver sacrifícios no curto prazo, como crescimento mais baixo e desemprego mais alto.” Ou então “o desemprego teria que subir até 8,5% em 2015 para trazer a inflação para a meta em 2016” dita por Alexandre Schwartsman, outro economista que está sempre na mídia hegemônica.
Soluções como essa vêm de um diagnóstico equivocado pois avaliam que o problema da inflação teria sido de “demanda”, ou seja, com o salário mínimo crescendo, o desemprego mais baixo, juros menores e crescimento econômico, os trabalhadores passaram a ter mais dinheiro e pressionaram os preços para cima, já que aumentou o poder de compra sem aumentar a produção de mercadorias ao mesmo tempo.
Ocorre que o problema da inflação brasileira em 2015 esteve ligado a “oferta”: liberação abrupta do preço da gasolina e da energia elétrica somada a uma forte desvalorização do real. Isso comprova a razão da inflação continuar subindo em 2015 mesmo com o aumento sistemático da taxa de juros. Ou seja, como justificar que mesmo “encarecendo” o crédito, a demanda por consumo seguiria aumentando?
Agora vamos tentar entender o momento atual. Em 2017 a inflação brasileira fechou em 2,95% (IPCA). O governo golpista de Michel Temer, a sua equipe econômica e, possivelmente, alguém no seu whatsapp devem ter comemorado!
Acontece que a inflação caiu e está abaixo do centro da meta de inflação exatamente por que a recessão e o desemprego a derrubaram! Isso quer dizer que a inflação está baixa a custo de um problema muito maior do que uma inflação de 10%, como foi em 2015. Naquela ocasião, a elite disse que o fantasma da inflação estava de volta e que a Dilma tinha quebrado o país!
A inflação está baixa porque o Brasil teve um recorde na safra agrícola e pode oferecer mais quantidades de alimentos no mercado – ou seja, a responsável foi a chuva e não o Temer.
Mas a inflação caiu, principalmente, porque os trabalhadores pararam de gastar! E eles pararam de gastar porque a renda média vem caindo sistematicamente, o salário mínimo foi reajustado abaixo da inflação e o desemprego está alto!
Se a pessoa recebe menos ou não recebe nada, ela gasta menos ou não gasta. Se ela não gasta, a indústria fica com seus produtos encalhados, demite trabalhadores, que deixam de gastar porque estão sem emprego. Essa é a lógica na qual a queda do crescimento econômico e o desemprego derrubaram a inflação.
De fato a inflação baixa aumenta o poder de compra porque a moeda não perde tanto valor, mas esse aumento no poder de compra não compensa os efeitos danosos das causa da queda da inflação.
O Brasil tem um “trauma” inflacionário. Mas isso não pode nos cegar para encarar que o remédio para controlar a inflação foi fazer o paciente contrair uma doença bem pior!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Aluna bolsista comove redes sociais com discurso de formatura na PUC-SP Filha de empregada doméstica, ela criticou "insultos" e "falta de apoio" na Universidade/aluna-bolsista-comove-redes-sociais-com-discurso-de-formatura-na-puc-sp-

Leia abaixo o discurso na íntegra:
Caros colegas, pais, professores, convidados, boa noite. Depois desse discurso animado, eu vim com um discurso rápido para o mesmo e um discurso que fala um pouco da nossa realidade aqui na PUC. Nessa noite tão especial, na qual relembramos nossa trajetória na Pontifícia, gostaria de falar sobre resistência, palavra tão usada por nós ao longo desses cinco anos. Todavia, não quero aqui abranger toda e qualquer resistência. Quero falar de uma em específico, da resistência que uma parcela dos formandos — que, infelizmente, são minoria neste evento — enfrentaram durante sua trajetória acadêmica.
Me dedico à resistência daqueles que cresceram sem privilégios, sem conforto e sem garantia de um futuro promissor, daqueles que foram silenciados na universidade quando pediram voz e que carregaram, desde cedo, o fardo do não pertencimento às classes dominantes.
Me dedico à resistência das famílias que a muito custo mantiveram seus filhos na universidade, à resistência dos estudantes que perderam, no mínimo, três horas diárias em transportes públicos. Hoje, trago a história de jovens sonhadores que há cinco anos atrás iniciaram uma história de resistência nessa universidade. Trago a história de resistência da periferia, dos pretos, dos descendentes de nordestinos e dos estudantes de escola pública.
Nós, formandos bolsistas resistimos à PUC São Paulo, aos sonhos que nos foram roubados e à realidade cruel que nos foi apresentada no momento em que cruzamos os portões da Bartira e da Monte Alegre. Nós resistimos às piadas sobre pobres, às críticas sobre as esmolas que o governo nos dava, aos discursos reacionários da elite e a sua falaciosa meritocracia. Resistimos à falta de inglês fluente, de roupa social e linguajar rebuscado que o ambiente acadêmico nos exigia.
Resistimos também à falta de apoio financeiro e educacional da Fundação São Paulo, aos discursos da vitimização das minorias e à suposta autonomia do indivíduo na construção do seu próprio futuro. Resistimos também aos insultos feitos a nossa classe, aos desabafos dos colegas sobre suas empregadas domésticas e seus porteiros. Mal sabiam que esses profissionais eram na verdade nossos pais.
No mais, resistimos aos professores que não compreenderam nossa realidade e limitações e faziam comentários do tipo: por favor, não estudem Direito Civil por sinopse, porque até a filha da minha empregada que faz Direito na 'Uniesquina' estuda Direito por sinopse. Essa frase foi dita por uma professora de Direito Civil no meu terceiro dia de aula. Após escutá-la, meu coração ficou em pedaços, pois naquele dia soube que a faculdade de Direito da PUC São Paulo não era para mim.
Liguei para minha mãe, empregada doméstica, chorando, e disse que iria desistir. Entretanto, após alguns minutos de choro compartilhado, ela me fez enxergar o quanto eu precisava resistir àquela situação e mostrar à PUC e a mim mesma o quanto eu era capaz de obter este diploma.
Essa história não é apenas minha, mas de todos os bolsistas formandos da PUC São Paulo. Somos os filhos e filhas do gari, da faxineira, do pedreiro, do motorista e da mãe solteira. Por isso, a eles, nossos maiores inspiradores, dedicamos nossa história de resistência nessa universidade. Que nossa história inspire outros jovens pobres a resistirem.
Avante, companheiros. Avante, pois nossa luta está apenas começando. Por fim, como nunca é tarde para dizer, 'Fora Temer'. Muito obrigada.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/aluna-bolsista-comove-redes-sociais-com-discurso-de-formatura-na-puc-sp-22411156#ixzz57llo4lqB 
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“Polícia cheira, madame cheira, empresário cheira, jogador cheira, político cheira”: o retrato da intervenção e da ‘guerra às drogas’ no Rio /Kiko Nogueira /DCM

Tropas do Exército fazem patrulha pelas ruas da Rocinha (FOTO José Lucena/Futura Press)
Luciana Mello, dona da empresa Dríade Ambiental, pintou no Facebook o retrato da “guerra às drogas” no Rio de Janeiro. Não é bonito, mas é verdadeiro.
Povo de fora q não sabe como é os esquema aqui no Hell de Janeiro, a parada aqui funciona assim: polícia cheira, madame cheira, puta de luxo cheira, empresário cheira, jogador cheira, atleta cheira, político cheira.
Nenhum deles sobe o morro pra comprar.
Na PUC, no Notre Dame, no Alto Leblon tem quem vende, tudo mocinho de boa família, tudo safado, q nem viciado esses porrinha são.
Os maconheiro do Rio fumam porq acham q tão no direito deles, mas compram de traficante do mesmo jeito, depois fecham o vidro do carro com medo “da violência” q é patrocinada pelo Coelhinho da Páscoa, porq os babaca não se ligam q quem patrocina a violência é o narizinho nervoso deles e dos amiguinhos.
Polícia, exército, marinha, todo mundo vende arma pra quem? Isso aí, pros traficantes. Pra q? Pra galerinha descoladex da zona sul e da Barra ficar na brisa, sentar as venta na branquinha.
Aí o q a galerinha descolada quer? Pô, quer poder andar na rua sem medo de perder o iPhone, quer #Paz. Na bundinha não querem nada, só paz mesm








Paraíso do Tuiuti 2018 - Versão acústica do Samba Enredo

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Copiado de Publicação de Binho Oliveira


"Monteiro Lobato escreveu, há 82 anos, o livro "O Escândalo do Petróleo e do Ferro", roteiro de um processo de redenção econômica nacional que não chegou a se completar.
Nada estranho que agora que o Brasil está sendo tragado pelo monstro imperial, o escândalo da entrega do ferro siga-se ao escândalo da entrega do petróleo.
Abaixo um texto que escrevi há dois anos sobre o então octogenário livro de Lobato."(Preâmbulo do mestre Nilson Lage para o seu excelente texto).
"O escândalo do petróleo
Há exatos 80 anos, meses antes de meu nascimento, rodava no prelo da Editora Nacional um livro-denúncia que apontou caminhos e iluminou esperanças na história política do Brasil: “O Escândalo do Petróleo”, de Monteiro Lobato. Lançado em 5 de agosto numa edição de cinco mil exemplares que logo se esgotaram, trazia dedicatória “às Forças Armadas”: “Exércitos, marinhas, dinheiro e mesmo populações inteiras nada valem diante da falta de petróleo”.
O texto fundiu-se com outro, de 1931, do mesmo Lobato, sobre o minério de ferro abundante no país: “O Escândalo do Petróleo e do Ferro”, editado pela Brasiliense, tirou dezenas de milhares de exemplares, leitura obrigatória dos homens que criaram a Companhia Siderúrgica Nacional e a mineradora Vale do Rio Doce, no início da década de 1940; e a Petróleo Brasileiro, Petrobrás, nos anos 1950 – todas obras de Getúlio Vargas.
Para fundar as duas primeiras empresas, Getúlio negociou com os Estados Unidos o apoio estratégico e militar do Brasil na Segunda Guerra Mundial; fundou a terceira – iniciativa que está na raiz imersa do golpe que o levou ao suicídio, em 1954 – quando se tornou patente que a exploração do petróleo no Brasil não estava na agenda das empresas estrangeiras, ancoradas na afirmação insubsistente de que não havia no país reservas economicamente exploráveis.
Enquanto foram estatais, a CSN e a Vale serviram como base e fonte de recursos para a industrialização do país. A siderúrgica, montada com equipamentos no valor de US$ 18 milhões, idêntica a outras instaladas na década de 1930 nos Estados Unidos, foi modernizada por engenheiros brasileiros a ponto de se tornar tão mais produtivas que isso motivou um episódio de espionagem industrial na década de 1980: queriam saber “como nós fizemos isso”.
Hoje, a CSN, privatizada em 1993, é presidida por um sujeito que, há dias, em vídeo, defendia que os trabalhadores não tivessem horário de almoço: poderiam comer seu sanduíche na linha de produção. Já a Vale, que Fernando Henrique Cardoso doou por preço vil numa operação criminosa de lesa-pátria, fabrica buracos no Brasil e no exterior, competindo em desprezo pelas pessoas e pelo meio ambiente com outras sinistras corporações.
A entrega do petróleo do pré-sal e a posterior liquidação da Petrobras – já dirigida por renomado executivo de massa liquidante – é o fecho de um período histórico que começou com a rebelião dos tenentes, na década de 1920 e de um sonho de independência que motivou minha geração."

Macartismo Brasileiro / Arnobio Rocha


Marcatismo atacou a todos: Esquerda, liberais, intelectuais, artistas.
Marcatismo atacou a todos: esquerda, liberais, intelectuais, artistas.
“Se contar é doloroso, calar também me dói; de qualquer lado, desdita”. (Prometeu Acorrentado – Ésquilo)
No começo dos anos de 1950, nos EUA, o medíocre Senador republicano Joseph McCarthy, do Wisconsin, simbolizou a campanha conta a “onda comunista” em solo americano, como pano de fundo da Guerra Fria. Uma histeria coletiva de delações e listas de artistas, intelectuais que exerciam atividades “antiamericanas”, produziu perseguições, prisões, deportações e destruição de carreiras e vidas.
O Macartismo virou uma chaga na história dos EUA, mas vive se reproduzindo no mundo em escalas diferentes e em épocas bem determinadas. O alvo inicial sempre são os “Vermelhos”, os comunistas (por mais nonsense que possa parecer). O Brasil de vez em quando caí na mesma tentação desse comportamento canalha, francamente fascista.
Desde 2013 a horda fascista tem nos empurrado para o gueto tentam nos constranger publicamente e criminalizar nossas ideias. Essa onda destruidora conseguiu rapidamente a cassação de Dilma, a despeito de não haver qualquer crime de responsabilidade. Ela se consolida especialmente no judiciário, em maior relevo na condução fascista da lava jato que visa destruir uma corrente de pensamento político.
Pode não ser mera coincidência que a a base dessa loucura seja feita por delações e sempre seletivas e direcionadas a um único objetivo, nem há mais disfarce quanto ao que perseguem, o juiz-justiceiro disse com todas as letras: “Estamos em tempos excepcionais (…) De maneira nenhuma eu defendo qualquer excepcionalidade”. (Uol, 04/06/2016)
O governo golpista de Temer-Serra, com baixa popularidade e baixa credibilidade, lançou uma ampla campanha institucional com o lema: “Tirar o pais do Vermelho”. É um ato de provocação, de desrespeito político e perseguição generalizada a qualquer um que se identifique com as ideias de esquerda, que é simbolizada no Vermelho. Calar a todos, eliminar os focos de resistência e, assim, poder entregar o país ao FMI e às empresas estrangeiras.
Estamos à beira de uma ruptura violenta do que sobrou de democracia no Brasil e seremos nós (os Vermelhos) usados como desculpa para o ataque selvagem.
A repressão começa seletivamente, depois se ampliará a toda sociedade e aos comportamentos diferentes (sexuais, religiosos, sociais), que serão proibidos e perseguidos, diretamente, ou sutilmente, silenciar quem pensa diferente nas escolas (sem partido), no trabalho (demissões por ideologia) e no convívio social (isolar que é de esquerda). 
A questão é que esse ódio e a fome produzida por esse ambiente fascista não se contentará com os “vermelhos”, atacará todos diferentes.
Muito em breve qualquer opinião crítica será levada aos tribunais e sujeita à multa ou privação de liberdade. Recentemente Gilmar Mendes venceu duas ações francamente persecutória aos seus críticos, a ironia é que foi esse mesmo que acusou o PT de criar um “estado policial”. Vejamos: Tudo aquilo que diziam sobre os vermelhos que controlariam a imprensa e fariam um estado policial, eles fazem e farão violentamente.
Ontem fui acusado de fatalista, infelizmente só espero que esteja errado, mas não parece que esteja. Bem, agora chega, isso aqui não é muro de lamentações e também todos estão surdos, não adianta bradar mais.
Melhor calar e esquecer.