quinta-feira, 17 de maio de 2018

O Pacote do Veneno vai afetar a sua vida; saiba como No mundo inteiro ninguém mais quer os cancerígenos agrotóxicos: países desenvolvidos estão proibindo diversos produtos e dando prazo para o banimento de muitos outros. No Brasil, políticos financiados pelos fabricantes pretendem aprovar um conjunto de leis que vai afetar diretamente a sua vida

Pacote do Veneno vai afetar a sua vida governo temer alimentação saúde
Cida de Oliveira, RBA

No mundo inteiro ninguém mais quer saber de agrotóxicos. Tanto que muitos países vêm restringindo o uso, proibindo diversos produtos e dando prazo para o banimento de muitos outros. A França vai banir o glifosato, o mais vendido no planeta, porque pesquisas confiáveis mostram que a substância é causadora de vários tipos de câncer. Fora outras doenças graves. Os brasileiros também não querem mais.
A procura por alimentos orgânicos é crescente e o consumo só não é maior porque a oferta ainda é pequena. Com poucas feiras, a maioria localizada em regiões mais nobres, e o preço maior que os comuns nos supermercados, a comida saudável, livre de venenos, ainda é coisa de elite. Outra demonstração do repúdio aos agroquímicos é a coleta de 100 mil assinaturas em apenas uma semana por meio da plataforma digital #ChegaDeAgrotóxicos.
Como muitos países estão banindo esses produtos, os fabricantes querem desovar seus estoques no Brasil, que já é o maior mercado consumidor. Para isso, encomendaram aos políticos financiados por eles a revogação da legislação atual e a aprovação de uma nova, desenhada para facilitar o registro de novos produtos, inclusive perigosos e proibidos em outros países, aumentando assim as vendas.
Essa mudança será por um conjunto de 27 projetos de Lei apensados, que ganhou o apelido de “Pacote do Veneno”, e que acabou compilado em um substitutivo do deputado ruralista Luiz Nishimori (PR-PR), relator da comissão especial criada para analisar os projetos. Os PLs e o substitutivo têm sido duramente criticado pelo Ministério Público Federal, Ibama, Anvisa, Conselho Nacional de Saúde, Abrasco, Fiocruz, Conselho Nacional de Direitos Humanos, Idec, Fórum Nacional e estaduais de combate aos efeitos dos agrotóxicos e transgênicos e outras associações, fóruns, movimentos e coletivos de saúde, meio ambiente, consumidor, agricultura familiar e agroecologia.
O substitutivo deve ser votado nesta quarta-feira (16), em reunião da comissão, onde os ruralistas são maioria. Se for aprovado, segue para o plenário, com enormes chances de aprovação. A bancada ruralista, diretamente interessada, é maioria também no Congresso.

Mais venenos

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Se fosse dividir o total consumido pelo número de habitantes, daria perto de sete litros para cada um todo ano. A tendência é de aumentar muito mais esse consumo, já que todas as regras serão modificadas justamente para acelerar o registro e aumentar as vendas.
O pacote permite a aprovação de novos produtos com base em estudos realizados em outros países, apesar das diferenças entre as condições ambientais. Por outro lado, não proíbe aqui o que foi proibido em outros países. Por mais liberdade de ação, o pacote retira o Ministério do Meio Ambiente e o da Saúde, por meio do Ibama e da Anvisa, da edição ou propositura de normas, inclusive o processo de reavaliação. Tudo isso passa a ser controlado pelo Ministério da Agricultura, cujo ministro, Blairo Maggi, é autor de um dos projetos de lei que compõem o pacote.
A avaliação sobre questões toxicológicas e ecotoxicológicas e o monitoramento da quantidade de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, também deixam de ser responsabilidade da Anvisa. Se atualmente a quantidade de resíduos encontrada já é muito maior do que a permitida por lei, imagine quando o país aumentar ainda mais o uso desses produtos.

Mais intoxicações

A ausência da Anvisa em processos de avaliação e reavaliação toxicológica, e a possibilidade de registro e comercialização de produtos ainda mais perigosos devem aumentar o risco às populações de trabalhadores da agricultura. Moradores de áreas rurais, alunos de escolas rurais pulverizadas, animais, já que todos estarão ainda mais expostos. Mesmo na cidade, serão afetados consumidores de água contaminada e de alimentos banhados com esses produtos todos.

Futuro intoxicado

saúde de futuras gerações estará seriamente comprometida. Muitas crianças serão envenenadas, inclusive aquelas que ainda nem nasceram. No útero de suas mães já estarão recebendo partículas de agrotóxicos, principalmente agricultoras, já que essas substâncias atravessam a placenta. E também porque o trabalho de gestantes em ambientes insalubres, como em meio a pulverizações, passaram a ser permitidos pela reforma trabalhista do governo de Michel Temer, que agora trabalha pela aprovação do pacote.

Perigo ocultado

O perigo dos agrotóxicos será escondido da população, conforme o pacote. Mudanças na rotulagem deverão excluir a caveira, que mesmo crianças e pessoas sem leitura conseguem associar à ideia de um produto perigoso e mortal. E o nome agrotóxico, que consta inclusive da Constituição federal, será substituído por “defensivo fitossanitário”. Um nome pomposo para tentar esconder a toxicidade, que é uma característica inerente à grande maioria dos produtos destinados ao controle de pragas. Com esses produtos altamente tóxicos passando a ser tratados como meros insumos agrícolas, a perspectiva é de, no mínimo, o aumento de ingestões acidentais de substâncias altamente perigosas e mortais.

Trabalho mortal

A mistura de diversos produtos tóxicos – a chamada calda – que é feita hoje em diversas propriedades à revelia da lei, será legalizada. O grande problema é que a mistura de determinadas composições químicas pode resultar em novas formulações que não foram testadas pelos órgãos reguladores. É possível que os trabalhadores sejam expostos a altos graus de toxidade não identificados, o que viola o princípio da precaução. E pior: a doenças graves e morte.

Nefasto

O pacote propõe a avaliação do risco pelas próprias empresas interessadas no registro de agrotóxicos que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas, que provoquem distúrbios hormonais ou danos ao aparelho reprodutor. Isso é praticamente o mesmo que dizer que será permitido o registro de agrotóxicos, seus componentes e afins mesmo que contenham substâncias que, segundo estudos, têm capacidade de causar mutações celulares que levem a malformações fetais e câncer.
Pela lei atual, a “identificação do perigo” em causar mutações e câncer é suficiente para impedir o registro. A exposição aos agrotóxicos causa ainda intoxicações agudas e crônicas, que levam à infertilidade, impotência sexual, aborto, danos ao sistema nervoso central, como distúrbios cognitivos e comportamentais, e desregulação hormonal com impacto no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Vida em risco

meio ambiente também será duramente afetado. O aumento do uso de agrotóxicos tem levado, entre outros crimes ambientais, ao desaparecimento de abelhas, que participam da polinização de mais de 70% das espécies vegetais. Sem abelhas, a reprodução da flora e a produção de alimentos são duramente prejudicadas.
O pacote não define os fundamentos do gerenciamento de risco, como mitigação e controle. Essa prevalência do interesse econômico ou político em detrimento da segurança ao ser humano e ao meio ambiente contraria a Constituição, segundo a qual é do Poder Público o exercício do controle sobre a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente. Ou seja, o controle desses produtos pelo Poder Público deve ter por finalidade primordial a proteção da vida, da qualidade de vida e do meio ambiente.
Por isso o Ibama destaca em parecer: “Não pode o Estado renunciar aos seus mecanismos de avaliação e controle prévio de substâncias nocivas ao meio ambiente contentando-se apenas como o ato homologatório de uma avaliação conduzida pelo particular, distante do interesse público“.

Pragas futuras

O pacote legaliza o “receituário de gaveta”. É como se o agrônomo tivesse uma bola de cristal onde enxergar uma praga que no futuro poderia vir a afetar a lavoura e prescreve agrotóxicos “de maneira preventiva”. Ou se o médico receitasse um medicamento, sem exames, para um paciente que não conhece e que ainda nem ficou doente. Com isso o agricultor, seduzido pelo assédio da indústria disfarçado de promoção, pode comprar agrotóxicos com antecedência, de maneira preventiva, e contaminar o solo e a água por muito mais tempo. Ainda não há métodos de descontaminação da água poluída por esses produtos.

Menos saúde, menos educação

O pacote trará ainda mais prejuízos aos cofres públicos. Historicamente subfinanciado, o SUS passará a ter gastos ainda maiores só com as doenças causadas pelo uso de agrotóxicos mais perigosos. A Previdência também terá mais gastos extras com aposentadorias por invalidez e, para compensar, o governo terá de tirar recursos de outras áreas, como educação e meio ambiente, por exemplo. Outra perversidade do pacote é que, ao mesmo tempo que impõe perdas ao país, à saúde e ao meio ambiente, vai ampliar os lucros das empresas que contam ainda com os incentivos fiscais do próprio governo. Há estimativas de que o país perca todo ano, por baixo, R$ 1,3 bilhão. Só em São Paulo, em 2015, a renúncia fiscal foi de R$ 1,2 bilhão. Ou seja, o setor recebe do estado para envenenar seu povo. Uma outra distorção do pacote, inconstitucional, é alterar o Pacto Federativo. Mesmo que estados, municípios e o Distrito Federal queiram fazer legislação própria para garantir proteção à sua população, não poderão.

“Golpe de Mestre” em curso na Venezuela aparece em documento secreto dos EUA Documento secreto dos EUA revela “Golpe de Mestre” já em curso contra Venezuela. Documento assinado por atual comandante do Comando Sul norte-americano trata de intervenção militar caso Nicolás Maduro não seja derrotado nas urnas. A Venezuela é, atualmente, o país com a maior reserva de petróleo do mundo

Documento secreto dos EUA revela “Golpe de Mestre” já em curso contra Venezuela. Documento assinado por atual comandante do Comando Sul norte-americano trata de intervenção militar caso Nicolás Maduro não seja derrotado nas urnas. A Venezuela é, atualmente, o país com a maior reserva de petróleo do mundo

Golpe de Mestre curso na Venezuela aparece em documento secreto dos EUA
Stella Calloni*, Diálogos do Sul

Panamá, Colômbia, Brasil e Guiana são pontos-chaves do movimento militar, com o apoio da Argentina e outros “amigos”, sob o controle do Pentágono. Já estão preparadas as bases que serão ocupadas, os países de apoio direto (fronteiriços) até hospitais e centros de reserva de víveres para seus soldados.
O documento analisa a situação atual ratificando a Guerra Contra Insurgente que se dá contra a Venezuela, mas também o perverso esquema da guerra psicológica que permite estender a perseguição, o assédio, o desprestígio, a mentira criminosa e que é utilizado para liquidar, não apenas com os movimentos populares, mas contra os povos da região.
Isto faz parte de um documento real, que tem a assinatura do almirante USN K W TIDD, ou seja, Kurt Walter Tidd, almirante da Armada dos Estados Unidos, atual comandante do Comando Sul, e que ainda não foi divulgado.
Ao se referir à situação atual da Venezuela, o informe menciona que cambaleia a “ditadura venezuelana chavista como resultado de seus problemas internos, da grande escassez de alimentos, do esgotamento da entrada de fontes de dinheiro externo e de uma corrupção desenfreada, que diminuiu o apoio internacional, ganho com petrodólares e que o poder aquisitivo da moeda nacional está em constante picada”.
Supõem que este cenário, que admitem que eles mesmos criaram com uma impunidade que espanta, não mudará. Nesse caso, justificam suas ações advertindo que o governo venezuelano acudirá a novas medidas “populistas” para preservar o governo.
Assombra o lugar em que colocam a oposição que eles manipulam, assessoram e pagam ao entender que “o corrupto regime de Maduro colapsará, mas lamentavelmente as forças opositoras defensoras da democracia e do bem-estar de seu povo, não têm poder suficiente para pôr fim ao pesadelo da Venezuela” por causa das disputas internas e inclusive “pela corrupção similar à de seus rivais, assim como à escassez de raízes” (ou seja de patriotismo) que não lhes permite tirar “o máximo proveito desta situação e dar o passo necessário para sobrevoar o estado de penúria e a precaridade na qual o grupo de pressão que exerce a ditadura de esquerda submergiu o país”.
O que resulta aterrador é que, enquanto consideram que se está diante de “uma ação criminosa sem precedente na América Latina”, referindo-se ao governo da Venezuela, que nunca agiu contra nenhum de seus vizinhos e que tem sido de uma intensa solidariedade regional e mundial, o Plano sustenta que a “democracia se estende na América, continente em que o populismo radical estava destinado a tomar o controle. Argentina, Equador e Brasil são exemplos disso. Este renascimento da democracia (chamam assim) está amparado nas determinações mais valiosas e as condições da região correm ao seu favor. Este é o momento dos EUA provarem com ações concretas que estão implicados nesse processo no qual derrotar a ditadura venezuelana seguramente representará um ponto de inflexão continental”.
Por outro lado, estimulam o presidente estadunidense Donald Trump a agir considerando que “esta é a primeira oportunidade da administração Trump para demonstrar e levar adiante sua visão sobre democracia e segurança”, e querem convencê-lo de que “sua participação ativa é crucial, não só para a administração, mas para o continente e o mundo. O momento chegou”.
Isto significa “intensificar a derrocada definitiva do chavismo e a expulsão de seu representante, socavar o apoio popular” ao governo e “estimular a insatisfação popular”, aumentando o processo de desestabilização e o desabastecimento para “assegurar o deterioro irreversível de seu atual ditador”.
Se alguém quiser avançar na arte da perversão contra insurgente basta ler este parágrafo: “sitiá-lo, (a Maduro) ridicularizá-lo e mostrá-lo como um símbolo de torpeza e incompetência, expô-lo como uma marionete de Cuba”, mas, ao mesmo tempo, sugerem “exacerbar a divisão entre os membros do grupo de governo, revelando as diferenças de suas condições de vida e a de seus seguidores e, ao mesmo tempo, incitando-os a manter em aumento essas divergências”.
O plano está destinado a ser executado de forma rápida e furiosa, como as medidas tomadas pelos mordomos de Washington, Mauricio Macri e Michel Temer que, com uma escandalosa história de corrupção, foram transformados pelo império em “líderes da transparência” e que tomaram em poucas horas medidas para a destruição dos Estados Nacionais com a certeza do disparo de um míssil.
Demanda o plano dos EUA tornar insustentável o governo de Maduro, forçando-o a claudicar, negociar ou escapar. O Plano para acabar em prazos muito curtos com a chamada “ditadura” da Venezuela apela a “incrementar a instabilidade interna a níveis críticos, intensificando a descapitalização do país, a fuga de capital estrangeiro e o deterioro da moeda nacional, mediante a aplicação de novas medidas inflacionárias que incrementem esse deterioro”.
Outro objetivo é “obstruir todas as importações e ao mesmo tempo desmotivar os possíveis investidores de fora” para — e vejam só a bondade capitalista — “contribuir para fazer mais crítica a situação da população”.
O Plano também abarca em suas onze páginas “apelar a aliados domésticos como também a outras pessoas inseridas no cenário nacional com o objetivo de gerar protestos, distúrbios e insegurança, pilhagem, saques, roubos, assaltos e sequestros de barcos e outros meios de transporte, com a intenção de desabastecer o país, através de todas as fronteiras e outras possíveis maneiras, pondo em perigo a segurança nacional de seus vizinhos”.
Consideram importante “causar vítimas” assinalando como responsáveis desses fatos os governantes “aumentando diante do mundo a crise humanitária a que está submetida o país”, usando a mentira de uma “corrupção generalizada dos governantes, e ligar o governo ao narcotráfico para desacreditar sua imagem diante do mundo e de seus seguidores domésticos”, além de promover “a fadiga entre os membros do Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV) incitando o inconformismo entre eles mesmos, para que rompam ruidosamente as relações com o governo e para que rechacem as medidas e restrições que também os afetam” e “torná-los tão fracos como é a oposição, criando fricções entre o PSUV e o Somos Venezuela”.
A proposta vai subindo de tom quando chama a “estruturar um plano para conseguir a deserção dos profissionais mais qualificados do país, para deixá-lo absolutamente sem profissionais, o que agravará mais a situação interna e nesse sentido culpar o governo”.

A mão militar

Como em um romance de suspense, o documento propõe “utilizar os oficiais do Exército como uma alternativa de solução definitiva” e “continuar endurecendo a condição dentro das Forças Armadas para levar a cabo um golpe de estado, antes que termine 2018, se essa crise não fizer com que a ditadura colapse ou o ditador não decida afastar-se”.
Entendendo que tudo o anterior pode falhar e com evidente desprezo pela oposição apela para “continuar o fogo contínuo na fronteira com a Colômbia, multiplicar o tráfico de combustível e de outros bens, o movimento dos paramilitares, incursões armadas e tráfico de drogas, provocando incidentes armados com as forças de Segurança da Fronteira venezuelana” e, além disso “recrutar paramilitares maiormente dos campos de refugiados em Cúcuta, Guajira e do Norte de Santander, áreas extensamente povoadas por cidadãos colombianos que emigraram para a Venezuela e agora retornaram, fugindo do regime que intensificou a desestabilização das fronteiras entre os dois países, usando o espaço vazio que deixou as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a beligerância do ELN (Exército de Libertação Nacional) e as atividades na área do cartel do Golfo (paramilitares)”.
Aqui vem a armação do golpe final, quando se planeja “preparar o envolvimento de forças aliadas em apoio aos oficiais da armada venezuelana ou para controlar a crise interna caso demore muito a iniciativa (…) estabelecer em uma linha de tempo rápida que preveja que o ditador continue ganhando o controle do cenário interno. Se for necessário, atuar antes das eleições estipuladas para o próximo mês de abril”. Na realidade serão no dia 20 de maio e desde já não as reconhecem.
O nó da questão é “obter o apoio de cooperação das autoridades aliadas de países amigos (Brasil, Argentina, Colômbia, Panamá e Guiana). Organizar as provisões das tropas, apoio logístico e médico a partir do Panamá. Fazer bom uso das facilidades da vigilância eletrônica e dos sinais inteligentes; de hospitais e dotações conseguidas no Darién (selva panamenha), o equipamento de drones do Plano Colômbia, como também as terras das antigas bases militares de Howard e Albrook (Panamá) assim como as pertencentes a Rio Hato. Além disso, no Centro Regional Humanitário das Nações Unidas, desenhado para situações de catástrofe e emergência humanitárias, que conta com um campo de aterrissagem aéreo e seus próprios armazéns”.
Já estamos falando de um cenário de intervenção no qual se propõe “avançar no estacionamento de aviões de combate e helicópteros, veículos blindados, posições de inteligência e unidades militares de logística especiais (polícias, oficiais militares e prisões (…). Desenvolver a operação militar sob bandeira internacional, patrocinada pela Conferência dos Exércitos Latino-americanos, sob a proteção da OEA e a supervisão, no contexto legal e midiático, do secretário-geral, Luís Almagro”.
Declarando a necessidade de que o Comando Continental fortaleça a ação, usando do instrumento do capítulo democrático Interamericano, com o objetivo de evitar a ruptura democrática”.
E além disso, “Unindo Brasil, Argentina, Colômbia, e Panamá para contribuir ao melhor número de tropas, utilizar sua proximidade geográfica e experiência em operação em regiões de bosques ou de selva. Fortalecendo sua condição internacional com a presença de unidades de combate dos Estados Unidos e das nações mencionadas; sob o comando Geral do Estado Maior Conjunto liderado pelos EUA”.
Assombra a impunidade com que tudo está sendo preparado pelas costas dos povos, na ilegalidade absoluta; e isso faz compreender as últimas manobras militares dos Estados Unidos: na região da fronteira do Brasil com a Venezuela (Brasil, Peru, Colômbia), no Atlântico Sul (Estados Unidos, Chile, Grã Bretanha, Argentina) sendo que no caso argentino foi sem autorização do Congresso em outubro-novembro passado.
Usando as facilidades do território panamenho para a retaguarda e as capacidades da Argentina para a segurança de seus portos e das posições marítimas (…) Propor ao Brasil e à Guiana fazer uso de sua situação migratória à qual temos a intenção de estimular na fronteira com a Guiana. Coordenar o apoio a Colômbia, Brasil, Guiana, Aruba, Curaçao, Trinidad e Tobago e outros Estados diante do fluxo de migrantes venezuelanos devido aos eventos da crise”.
Mas, além disso, “promover a participação internacional neste esforço como parte da Operação multilateral com contribuição de estados, organismos não estatais e corpos internacionais e abastecer de adequada logística, inteligência, apoios, antecipando especialmente os pontos mais valiosos em Aruba, Puerto Carreño, Inirida, Maicão, Barranquilla, e Sincelejo, na Colômbia e Roraima, Manaus e Boa Vista no Brasil”. Incrível mapa de uma guerra de intervenção anunciada.

Informação estratégica

É assombroso o plano de silenciar “o simbolismo da presença da representatividade de Chávez e do apoio popular” e manter o assédio “ao ditador como único responsável pela crise na qual ele submergiu a nação” e seus mais próximos, os quais serão acusados da crise e da impossibilidade de sair dela.
Em outro parágrafo se chama a “intensificar o descontentamento contra o regime de Maduro, considerando assinalar a incompetência dos mecanismos de integração criados pelos regimes de Cuba e da Venezuela, especialmente a Alba (Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América) e a Petrocaribe”. .
Quanto ao tema midiático, o plano elaborado pelos EUA insiste em aumentar dentro do país, através dos meios de comunicação locais e estrangeiros, a disseminação de mensagens elaboradas e baseadas em depoimentos e publicações originadas no país, fazendo uso de todas as capacidades possíveis incluídas as redes sociais e, por outro lado, “insistir através dos meios de comunicação na necessidade de pôr fim a essa situação porque ela é, em essência, insustentável”.
Em um de seus últimos parágrafos se trata de “assegurar” ou mostrar o uso de meios violentos por parte da ditadura para obter o apoio internacional, utilizando “todas as capacidades da Guerra Psicológica da armada dos Estados Unidos”. Ou seja, repetindo os mesmos cenários de mentiras, notícias elaboradas, fotografia e vídeos falsos, e tudo quanto foi usado nas guerras coloniais do século 21.
Os EUA deverão apoiar internamente os estados americanos que o apoiam”, levantar a imagem deles e da “ordem multilateral de instituição do sistema interamericano, como instrumentos para a solução dos problemas regionais”. “Promover a necessidade de envio da Força Militar da ONU para a imposição da paz, uma vez que a ditadura corrupta de Nicolás Maduro seja derrocada”. Assinado por K W TIDD. (Almirante USN commander Kurt Walker Tidd).
*Stella Calloni é jornalista argentina e colaboradora de Diálogos do Sul. Escreve sobre temas políticos da América Latina. Ajudou a desvendar as entranhas da Operação Condor no continente.

terça-feira, 15 de maio de 2018

VOCÊ ESTÁ AQUI: MEU TIMÃOFÓRUM DO CORINTHIANS FREGUESIA CENTENÁRIA DA PORCADA - A HISTÓRIA É IMPLACÁVEL / Meu Timão 15/05/18

Fielipe #3.414@fielipe em 15/05/2018 às 10:46
Saudações Corinthianas!
Lendo a matéria publicada ontem pelo Lucas Faraldo sobre o número de vitórias e as divergências nas estatísticas do Derby Paulista, além das leituras dos colunistas como o O Walter falceta, além de outros tópicos criados no Fórum onde emiti minha opinião, resolvi criar este tópico para esclarecer que se os historiadores do Palmeiras com todo seu espírito de porco gostam de brincar com os números nós corinthianos também podemos e desta forma o retrospecto fica totalmente favorável ao clube do Parque São Jorge.
Bem...
Já disse anteriormente que esse pessoal do Palmeiras estão cada vez mais loucos... Copa Rio como Mundial, Taça Brasil e Robertão como Brasileiro, Torneio Início nas estatísticas e recentemente até o Torneio Extra de 1938 como título paulista. Não dá, né?
Vale ressaltar que até 2013 o rival publicava os mesmos números que o Timão, porém quando viram que o Corinthians podia empatar e assumir a liderança novamente na história começaram a 'inventar'.
Os links não estão mais disponíveis, mas eram estes aqui:
http://www.palmeiras.com.br/noticias/2013/02/16/14h10-id8834-confira+o+historico+de+palmeiras+x+corinthians.shtml#.USvLwh2zfg4http://www.palmeiras.com.br/noticias/2013/02/16/14h10-id8834-confira+o+historico+de+palmeiras+x+corinthians.shtml#.USvLwh2zfg4PALMEIRAS.COM.BR
http://www.corinthians.com.br/site/noticias/ver/?c=Futebol&id=18048http://www.corinthians.com.br/site/noticias/ver/?c=Futebol&id=18048corinthians.com.brCORINTHIANS.COM.BR
Analisando o retrospecto geral do Derby Paulista no Almanaque do Timão é possível constatar a superioridade corinthiana.
No ano do centenário do Derby Paulista o Corinthians provou que a Freguesia do Palmeiras realmente é Centenária!
Desde o primeiro Corinthians x Palmeiras em 4 de outubro de 1942 foram disputados 288 dérbis paulistas.
São 104 vitórias do Corinthians, 94 vitórias do Palmeiras e 90 empates.
A centésima vitória corintiana contra o Palmeiras (Ex-Palestra Itália), ocorreu no primeiro turno do Campeonato Brasileiro no dia 12/07/2017 dentro da arena do arquirrival.
http://historiaempretoebranco.com.br/1942-o-ano-massacre-corintiano-contra-o-palmeiras/1942 ? O Ano do Massacre Corintiano contra o Palmeiras - História em Preto e Branco1942 ? O Ano do Massacre Corintiano contra o Palmeiras - História em Preto e BrancoNo Derby Paulista, na temporada de 1942, o Corinthians foi implacável contra seu arquirrival. Foram 16 gols em 5 jogos, com média de 3,2 gols por partida.HISTORIAEMPRETOEBRANCO.COM.BR
Os números também mostram o seguinte:
Desde 1942 considerando os principais e mais tradicionais torneios o Corinthians SEMPRE se manteve na frente do Palmeiras no retrospecto geral.
Desde o primeiro Corinthians x Palmeiras em 4 de outubro de 1942 foram disputados 288 dérbis paulistas. São 104 vitórias do Corinthians, 94 vitórias do Palmeiras e 90 empates.
A herança de vantagem que o Palmeiras tinha até o dia 13 de maio de 2018 nos confrontos deveu-se ao Palestra Itália e à soma dos jogos amistosos e os números validam isso.
Corinthians x Palmeiras - CONSIDERANDO OS Principais Torneios - (Paulistão, Copa do Brasil “que não teve dérbi até hoje”, Libertadores, Brasileirão): Corinthians 85 vitórias contra 66 derrotas, houveram 67 empates.
Corinthians x Palmeiras - CONSIDERANDO OS Principais Torneios - (Paulistão, Copa do Brasil “que não teve dérbi até hoje”, Libertadores, Brasileirão) + TORNEIO RIO-SP: Corinthians 91 vitórias contra 80 derrotas, houveram 73 empates.
Corinthians x Palmeiras (de 1942 à 2018) - CONSIDERANDO TODOS OS TORNEIOS (Paulistão, BRASILEIRÃO, Copa do Brasil “que não teve dérbi até hoje”, Libertadores, RIO-SP E TAÇA DE PRATA (TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA): Corinthians 91 vitórias contra 84 derrotas, houveram 76 empates.
Porém os alviverdes poderão contestar a forma restritiva que estou pontuando, pois o Palmeiras era o Palestra Itália e isso deve ser considerado.
Considerando resultados anteriores à 42 - Principais e Mais Tradicionais Torneios - (Paulistão, Copa do Brasil “que não teve dérbi até hoje”, Libertadores, Brasileirão) o retrospecto fica da seguinte forma: 85+12= 97 Corinthians, 66+23=89 Palestra/Palmeiras, 67+11=78 empates.
Na história do Derby Paulista (de 1917 à 2018) desconsiderando-se disputas amistosas o retrospecto é favorável ao Corinthians são 119 vitórias alvinegras, 115 vitórias alviverdes e 100 empates.
Analisando as informações sobre o Derby pode-se comprovar que o Corinthians detém vantagem no retrospecto a partir do momento que o rival alviverde trocou de nome em 1942.
Corinthians x Palmeiras - DESCONSIDERANDO Jogos amistosos e ao período de Palestra Itália: Corinthians 103 vitórias contra 90 derrotas, houveram 88 empates
Considerando o retrospecto geral do dérbi de 1917 à 2018 nos principais e mais tradicionais torneios (Paulistão, Copa do Brasil “que não teve dérbi até hoje”, Libertadores, Brasileirão) sem os amistosos estaduais o retrospecto apresenta o seguinte resultado: Corinthians 97,89 Palmeiras e 78 empates.
Considerando o absurdo praticado pela CBF em equiparar Torneio Roberto Gomes Pedrosa como sendo Campeonato Brasileiro o retrospecto do dérbi fica da seguinte forma:
Corinthians 97,93 Palmeiras e 81 empates.
Visto que o Palmeiras contabilizou como sendo Campeonato Brasileiro as conquistas da Taça Brasil de 1960 e 1967 e também as conquistas do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967 e 1969 chegando ao ridículo de denominar-se como Bi-Campeão Brasileiro no mesmo ano em 1967. De toda forma, se incluídos os dérbis considerando estes torneios (Taça Brasil não teve Dérbi, pois previa em principio reunir as equipes campeãs estaduais do Brasil para indicar os representantes brasileiros na Taça Libertadores da América, porém as equipes mais fortes disputavam apenas as fases finais. As edições de 1961,1964,1965 e 1966 contaram com dois representantes do futebol paulista, enquanto que em 1967 houve a participação de duas equipes mineiras. Em 1968, último ano da competição, nenhuma equipe paulista disputou a competição).
E a centenária freguesia do Palmeiras manteve-se também no novo século.
Desde 2000 a vantagem é toda do Corinthians, assim como, no novo século a
partir de 2001.
56 dérbis, com 25 vitórias do Alvinegro do Parque São Jorge, 16 empates e 15 derrotas para os alviverdes.
Desde 2001 foram realizados 49 dérbis, com 21 vitórias do Alvinegro do Parque São Jorge, 15 empates e 13 derrotas para o Palmeiras que ficou sem vencer desde agosto de 2011 quando mandou jogo no interior incluindo que também ficou sem vencer o dérbi desde 2008 pelo campeonato paulista, assim como, na capital e há 20 anos no Pacaembu, quebrando o tabu na 'Saudosa Maloca' em 2016 com gol roubado em impedimento.
A freguesia da porcada para o Timão também se estende há outros aspectos como por exemplo no estádio do Pacaembu que foi o palco que mais recebeu o clássico entre Corinthians e Palmeiras. Nos estádio Municipal o Corinthians tem 60 vitórias, e o Palmeiras possui o mesmo número de vitórias e empates 46 em 152 partidas disputadas.
Vale ressaltar que na 'Casa' arrendada em que eles vivem sendo desalojados pela construtora é o Corinthians quem manda, afinal de contas, no Allianz Parque São Jorge são 3 vitórias do Corinthias, 1 empate e a porcada conseguiu sua única vitória no Chiqueirão de forma roubada com gol mal anulado do Timão aos 49 do segundo tempo.
Além disso o Corinthians bateu o rival no dia 08/02/2015, pelo primeiro Derby Paulista da história do novo e remodelado estádio alviverde.
Outro detalhe interessante sobre a freguesia do Palmeiras também em seus domínios, o Palestra Itália/Palmeiras tornou-se legítimo proprietário do Parque Antártica no dia 27 de abril de 1920. O primeiro Derby na 'casa' oficial do Palestra foi disputado em 05/09/1920 e foi vencido pelo Corinthians pelo placar de 2x1. O Palestra Itália venceu o primeiro clássico em 1917 no Parque Antártica quando ainda não era o legítimo proprietário do estádio e somente venceu novamente no Parque Antártica depois de 4 anos já como proprietário em 4 de setembro de 1921 pelo placar de 3x1, ou seja, o Corinthians manteve um tabu de 4 anos sem perder para o Palestra Itália dentro da casa do rival.
Em 08 de abril deste ano comemoramos o 29º título paulista dentro da casa deles, assim como fizemos em 1929 quando o Palestra já era dono do Parque Antártica. Também comemoramos os títulos paulistas de 1914 e 1916 dentro do Parque Antártica porém nesta época o campo pertencia à Companhia Antarctica Paulista de cerveja.
Na Arena Corinthians todos sabemos do retrospecto, são 5 vitórias do Timão, 1 empate e 3 derrotas.
No Campeonato Brasileiro:
Corinthians 17,16 Palmeiras e 17 empates.
No Campeonato Paulista:
Corinthians 77,70 Palmeiras e 61 empates.
Realmente a história é implacável e os números mostram a centenária freguesia do Palmeiras para o Poderoso Timão.
VAI CORINTHIANS!
http://historiaempretoebranco.com.br/História em Preto e Branco -HISTORIAEMPRETOEBRANCO.COM.BR

“Agora esses moleques vêm me chamar de ladrão”: a visita de Marcelo Barros, monge beneditino, a Lula Por Diario do Centro do Mundo - 15 de maio de 2018

Desde que a justiça liberou visitas religiosas, fui o segundo a ter graça de visitar o presidente Lula em sua prisão. (Quem abriu a fila foi Leonardo Boff na segunda-feira passada).
Eram exatamente 16 horas quando cheguei na dependência da Polícia Federal onde o presidente está aprisionado. Encontrei-o sentado na mesa devorando alguns livros, entre os quais vários de espiritualidade, levados por Leonardo.
Cumprimentou-me. Entreguei as muitas cartas e mensagens que levei, algumas com fotografias. (Mensagem do Seminário Fé e Política, de um núcleo do Congresso do Povo na periferia do Recife, da ASA (Articulação do Semi-árido de Pernambuco) e de muitos amigos e amigas que mandaram mensagens.
Ele olhou uma a uma com atenção e curiosidade. E depois concluiu:
– De saúde, estou bem, sereno e firme no que é meu projeto de vida que é servir ao povo brasileiro como atualmente tenho consciência de que eu posso e devo. Você veio me trazer um apoio espiritual. E o que eu preciso é como lidar cada dia com uma  indignação imensa contra os bandidos responsáveis por essa armação política da qual sou vítima e ao mesmo tempo sem dar lugar ao ódio.
Respondi que, nos tempos do Nazismo, Etty Hillesum, jovem judia, condenada à morte, esperava a hora da execução em um campo de concentração. E, naquela situação, ela escreveu em seu diário:
“Eles podem roubar tudo de nós, menos nossa humanidade. Nunca poderemos permitir que eles façam de nós cópias de si mesmos, prisioneiros do ódio e da intolerância”.
Vi que ele me escutava com atenção e acolhida. E ele começou a me contar a história de sua infância. Contou como, depois de se separar do marido, dona Lindu saiu do sertão de Pernambuco em um pau de arara com todos os filhos, dos quais ele (Lula) com cinco anos e uma menina com dois.
Lembrou que quando era menino, por um tempo, ajudava o tio em uma venda. E queria provar um chiclete americano que tinha aparecido naqueles anos. Assim como na feira, queria experimentar uma maçã argentina que nunca havia provado. No entanto, nunca provou nem uma coisa nem outra para não envergonhar a mãe.
E aí ele prosseguia com lágrimas nos olhos: “Agora esses moleques vêm me chamar de ladrão. Eu passei oito anos na presidência. Nunca me permiti ir com Marisa a um restaurante de luxo, nunca fiz visitas de diplomacia na casa de ninguém… Fiquei ali trabalhando sem parar quase noite e dia… E agora, os caras me tratam dessa maneira…”
Eu também estava emocionado. O que pude responder foi:
– O senhor sabe que as pessoas conscientes, o povo organizado em movimentos sociais no Brasil inteiro acreditam na sua inocência e sofrem com a injustiça que lhe fizeram. Na Bíblia, há uma figura que se chama o Servo Sofredor de Deus que se torna instrumento de libertação de todos a partir do seu sofrimento pessoal. Penso que o senhor encarna hoje, no Brasil essa missão.
Comecei a falar da situação da região onde ele nasceu e lhe dei a notícia de que a ASA (Articulação do Semi-árido) e outros organismos sociais estão planejando um grande evento para o dia 13 de junho em Caetés, a cidadezinha natal dele. Chamar-se-á “Caravana do Semi-árido pela Vida e pela Democracia” (contra a Fome – atualmente de novo presente na região – e por Lula livre).
A partir daquela manifestação, três ônibus sairão em uma caravana de Caetés a Curitiba para ir conversando com a população por cada dia por onde passará até chegar em Curitiba e fazer uma festa de São João Nordestino em frente à Polícia Federal.
Ele riu, se interessou e me pediu que gravasse um pen-drive com músicas de cantores de Pernambuco, dos quais ele gosta. Música de qualidade e que não estão no circuito comercial.
Vergonha. Nunca tinha ouvido falar de nenhum e nem onde encontrar. Ele me disse que me mandaria os nomes pelo advogado e eu prometi que gravaria.
Distenção feita, ele quis me mostrar uma fotografia na parede na qual ele juntou os netos. Explicou quem é cada um/uma e a sua bisneta de dois anos (como parece com dona Marisa, meu Deus!).
Começou a falar mais da família e especialmente lembrou um irmão que está com câncer. Isso o fez lembrar que quando Dona Lindu faleceu, ele estava na prisão e o Coronel Tuma permitiu que ele saísse da prisão e com dois guardas fosse ao sepultamento da mãe. No cemitério, havia uma pequena multidão de companheiros que não queriam deixar que ele voltasse preso. Ele teve de sair do carro da polícia e falar com eles pedindo para que deixassem que ele cumprisse o que tinha sido acertado. E assim voltou à prisão.
A hora da visita se passou rápido. Perguntei que recado ele queria mandar para a Vigília do Acampamento e para as pessoas às quais estou ligado.
Ele respondeu:
– Diga que estou sereno, embora indignado com a injustiça sofrida. Mas, se eu desistir da campanha, de certa forma estou reconhecendo que tenho culpa. Nunca farei isso. Vou até o fim. Creio que na realidade atual brasileira, tenho condições de ajudar o Brasil a voltar a ser um país mais justo e a lutar para que, juntos, construamos um mundo no qual todos tenham direitos iguais.
Para concluir a visita, propus ler um texto do evangelho e ele aceitou.
Li o evangelho do próximo domingo – festa de Pentecostes e apliquei a ele – os discípulos que estão em uma sala fechada, Jesus que se deixa ver, mesmo para além das paredes que fechavam a sala. E deu aos seus a paz, a alegria e a capacidade de perdoar no sentido de discernir o julgamento de Deus sobre o mundo. E soprando sobre eles lhes deu a vida nova do Espírito.
Segurei em suas mãos e disse: Creio profundamente que isso se renova hoje com você.
Vi que ele estava emocionado. Eu também fiquei. Abri o pequeno estojo e lhe mostrei a hóstia consagrada que lhe tinha trazido da eucaristia celebrada na véspera. Oramos juntos e de mãos dadas o Pai Nosso.
Eu tinha trazido duas hóstias. Eu lhe dei a comunhão e ele me deu também para ser verdadeiramente comunhão.
Em um instante, eram vocês todos/as que estavam ali naquele momento celebrativo  e eu disse a ele: “Como uma alma só, uma espécie de espírito coletivo, muita gente – muitos companheiros e companheiras estão aqui conosco e estão em comunhão e essa comunhão eucarística representa isso.
Eu lhe dei a bênção e pedi a bênção dele para todos vocês.
Foi isso.
Quando o policial que me foi buscar me levou para fora e a porta se fechou atrás de mim, me deu a sensação profunda de algo diferente.
Senti como se eu tivesse saído de um espaço de liberdade espiritual e tivesse entrando na cela engradeada do mundo que queremos transformar.
Que o Espírito de Deus que a celebração desses dias invoca sobre nós e sobre o mundo nos mergulhe no amor e nos dê a liberdade interior para irmos além de todas essas grades que aprisionam o mundo.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

THE BEATLES GOLDEN SLUMBERS SUNG BY PAUL McCARTNEY LIVE

CARTA ABERTA Ao Exmo. Sr. Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes

CARTA ABERTA
Ao Exmo. Sr. Ministro do Supremo Tribunal Federal
Gilmar Mendes
Excia., eu poderia estar me dirigindo a qualquer um dos Ministros da Suprema Corte, e o fato de tê-lo escolhido reside em que é o de maior visibilidade, o mais presente, via mídia e redes sociais, na vida dos brasileiros.
Não me aterei à sua biografia, aos fatos, reais ou não, airosos ou desairosos à sua imagem, e muito menos ao seu posicionamento ideológico, público e notório, assumido.
O que me leva a escrevê-lo é o questionamento, que acredito ser o da maior parcela de brasileiros, a respeito do comportamento dos Ministros, seus pares, na Suprema Corte, o Senhor, inclusive.
Não se chega à posição que os Senhores chegaram sem um grande cabedal de conhecimentos, do Direito e de outros assuntos, dando-lhes vasta cultura geral, universal. Dos senhores podemos afirmar tudo, menos que não sejam inteligentes.
Ora, Senhor Ministro, por exigência dos próprios mecanismos cerebrais, a primeira exigência a se fazer a um homem ou mulher inteligente, é a coerência, o não se permitir que em si habitem contradições, a menos que falsas, postiças, atendendo a interesses determinados.
Todos os Ministros do Supremo, sem que se possa isentar nenhum dos onze, vem se pautando por incoerências, contradições, volubilidade nas decisões, mudando-as ao sabor do vento e do momento.
Um vota justificando não concordar com o dito pelo relator, mas que votará a favor porque “a literatura jurídica assim me permite”, o outro passa a semana inteira na mídia, defendendo um determinado ponto de vista, e depois vota contra, ou criticando e votando a favor, até chegarmos na Ministra Rosa Weber que justificou um voto com argumentação totalmente contrária ao voto proferido, negando-o, o que, data máxima vênia, chega a beirar à insanidade.
E chego ao meu questionamento: o que se esconde por trás do comportamento dos senhores?
Fosse eu reducionista, colocando todas as atividades institucionais no patamar do ilícito mercantilismo e diria que a Justiça brasileira está comprada, que as decisões têm preço, o que me recuso a fazê-lo, por ferir os mais elementares princípios de dignidade, honra e decência.
Assim, ficam restando duas possibilidades de justificativas.
Recentemente p ex Presidente Lula referiu-se ao Supremo como “acovardado”.
De um ex Presidente da República pode-se esperar tudo, menos que seja mal informado e que seja leviano.
O que os acovarda, ministro? O que os assusta, põe medo?
Na primeira votação do HC de Lula um general fez ameaças. Ontem outro militar de alta patente repetiu, quando deveriam ter ficado calados, por dever de ofício, em respeito à disciplina e à hierarquia.
De onde partem as pressões, Ministro? Das Forças Armadas? De grupos fascistas? De partidos? Do exterior? O que temem?
A ser verdade, o que está gerando esta situação, a de tomarem decisões em oposição às justificativas?
Ontem o Senhor, depois de sinalizar, por uma semana, que votaria contra a orientação do relator, votou a favor, justificando de uma maneira que pode ser entendida como espírito de corpo, corporativismo, o que é uma afronta ao bom senso.
Se isto pauta os votos dos magistrados, basta que o relator o faça, em decisão monocrática, nos poupando tempo e dinheiro, por redução no número de votantes, entre os de maior remuneração do planeta, na mesma atividade.
Por fim, a terceira hipótese: por mais que o Senhor discorde, a situação presente, neste país, é resultado de um golpe de Estado.
O Senhor, tanto quanto todos, inclusive os de Douto Saber Jurídico, aqui e no exterior, não acredita em pedaladas, improbidade... Qualquer coisa capaz de justificar o que aconteceu, com a sua participação direta, inclusive em reuniões de conspiração, nas casas de Eduardo Cunha e Heráclito Fortes.
O resultado é que o país está hoje sendo governado em favor de menos de 1% dos brasileiros, com os pobres voltando para miséria, a classe média caindo na pobreza e o patrimônio público sendo doado ou vendido por valores irrisórios.
Estivéssemos sob o império da lei, subordinados à Constituição, isto estaria sendo impedido, mas não é o que está acontecendo, e lhe faço a derradeira pergunta: o STF da República Federativa do Brasil está agindo de forma covarde porque ameaçado ou age, de forma covarde, ameaçando?
Sem confiar nas Instituições, onde se inclui a responsável pelo respeito à lei, o que nos resta fazer?
Precisamos de respostas, Ministro.
Francisco Costa
Rio, 10/05/2018.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Roberto Amaral: STF se outorga o poder constituinte e Barroso lidera o “populismo judicante, penalista, punitivista e demagógico”

O STF contra a democracia
Dizem que a Constituição é ‘detalhista’. Foi a vacina encontrada para defender a ordem constitucional de um Poder Judiciário no qual não se confia
Promulgação da Constituição de 1988: poucos textos poderão, como esse, dizer que nasceram da vontade popular
A Constituição brasileira de 1988 – alquebrada, mas ainda vigente, não obstante o STF, é triste dizê-lo – é muito mais que um código de observância obrigatória.
Ela é, a um só tempo, símbolo e cristalização da opção política do povo brasileiro, que, nas ruas, exigiu uma Assembleia Constituinte para decretar, de uma vez por todas, o fim do ordenamento autoritário.
Poucos textos poderão, como esse, dizer que nasceram da vontade popular.
Vontade que se manifestou tanto na grande jornada pela convocação da Assembleia Constituinte, a que resistiam os militares, quanto no acompanhamento quotidiano da atividade constituinte, evitando que prevalecesse o Centrão, o núcleo duro da direita.
A chamada ‘Constituição cidadã’, segundo o batismo de Ulisses Guimarães, não é o texto de nossos sonhos – qual seria? –, mas é indiscutivelmente o que de melhor poderíamos costurar, nas circunstâncias.
E é, certamente, a mais representativa de quantas Cartas tivemos na República.
No entanto, ela está sendo dilacerada pelo Poder Judiciário, exatamente o único desvalido da soberania popular.
Na República, qual a praticamos, o poder supremo – fonte de todos os demais – pertence ao povo.
Na democracia representativa, a nossa, esse poder é exercido por meio de representantes, eleitos (art. 1º).
Não há, pois, legitimidade fora da representação, que se manifesta através do voto, em eleições periódicas.
Fora desta fonte, tudo o mais se afigura como esbulho.
À exceção das rupturas revolucionárias ou golpistas (quarteladas ou não), inexiste hipótese de legitimidade constitucional fora do voto, de que carecem os juízes, atrabiliários ou não, autoritários ou não, ensimesmados ou não, juízes de piso ensoberbados ou noviços alçados às alturas dos tribunais superiores.
Em nosso ordenamento, e exatamente em decorrência dessa limitação de fonte e origem, cabe ao Poder Judiciário, por intermédio do STF, como função precípua (adjetivo de escolha do constituinte), aquela que por sinal justifica sua existência, a ‘guarda da Constituição’, o zelo pelo seu cumprimento, a vigilância sobre sua integridade.
Jamais sua violação, no que incide corriqueiramente nossa Corte, outorgando a si mesma poder Constituinte de carece, como acaba de fazer, ao alterar (‘emendar’ como gostaria o senhor Barroso) a regra que disciplina o processo e julgamento dos membros do Congresso Nacional (art. 102).
Antes, já esbofeteara a garantia constitucional da presunção da inocência, e revogara a necessidade do trânsito em julgado para o cumprimento de sentença penal condenatória, remetendo ao lixo a regra do art. 5º, LVII.
Ainda antes, com argumentos burocráticos e no ápice de chicanas operadas pela presidência da Corte na ordenação da pauta dos trabalhos do Pleno, denegara o pedido de habeas corpus impetrado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez mais fraudando a Constituição, o que ficou exposto no luminar voto do ministro Celso de Melo, essa ave rara do liberalismo.
A incumbência outorgada ao juiz é a de reta aplicação da lei, não lhe cabendo seja emendá-la, seja criar regra nova, competência privativa dos titulares de mandato legislativo.
Desse papel, usurpado dos representantes do povo, se valeram o ‘Estado Novo’ e, mais recentemente, os militares.
Mas naquelas ocasiões vivíamos sob o império de ditaduras, que a consciência jurídica repugnava.
O ativismo judicial, a violação da separação dos Poderes, o avanço do Judiciário sobre o Legislativo e o Executivo, postos sob custódia, têm, dentre outras muitas motivações, a convicção, reacionária, alimentada e difundida pela cantilena dos meios de comunicação, de que a política (isto é, a política exercida pelos políticos…) é a fonte de nossos males, e como toda erva daninha deve ser extirpada.
O discurso da antipolítica, renovado metodicamente com os eventos da Lava Jato, já foi formulado em diversos momentos de nossa História, e todos sabemos o que nos foi imposto em seu rasto.
O assassinato é precedido pela desqualificação do político, anatematizado como corrupto pelo reacionarismo místico-religioso de procuradores, juízes de piso e ministros, ainda encantados pelas luzes da notoriedade.
Essa é a razão ideológica para a ‘emenda’ aplicada ao art. 102 (I, a) da Constituição, pois esse abuso foi o que praticou o STF – o colégio dos illuminati onde neste momento pontifica o ministro Barroso – ao eliminar o ‘foro privilegiado dos congressistas’.
A grande vítima deste ataque, todavia, é a soberania popular.
O foro privilegiado, no caso dos congressistas, não consiste em prerrogativa pessoal, do indivíduo, mas em instrumento de defesa do caráter e da essência da representação popular; a incolumidade do titular da soberania, que não pode ser ameaçado, limitado ou condicionado no exercício de seu mandato, nem exposto à sanha de eventuais adversários, de litigantes de má-fé, de juízes a serviço das oligarquias que dominam a política, principalmente no Brasil profundo.
O STF, todavia, e por razões óbvias, só viu porta aberta à impunidade – porque ele mesmo demora a julgar, alimentando a indústria da prescrição – quando os processos dizem respeito aos membros do Congresso Nacional.
Corre tudo como dantes quando o ‘privilégio’ se aplica aos seus próprios membros, ao Procurador-Geral da República, aos ministros de Estado, aos comandantes das Forças Armadas, aos membros dos Tribunais Superiores e do Tribunal de Contas da União e aos chefes de missão diplomática.
Ou seja, como dito acima, o projeto é ideológico, o alvo é a política e a vítima é a soberania popular.
O nano-ministro, líder do populismo judicante, penalista, punitivista, demagógico, não se afeiçoa com os fundamentos do Direito, nem cultiva as lições de seus construtores, pois sua fonte é um emaranhado de estatísticas não conferidas de processos, ações e julgados, que brande a cada julgamento, para em nome sempre de um alegado ‘excesso’ de demandas, justificar a supressão de um direito fundamental.
Diz, por exemplo, o senhor Barroso (nesse ponto alcovitado pelo ministro Fux), que o instituto do habeas corpus, que separa as democracias das tiranias, de tão requerido, está entulhando a Corte.
Mude pois o STF o texto constitucional, restringindo sua aplicação!
Não importa quantos direitos quedarão à míngua de proteção jurisdicional, mas os ministros ficarão mais aliviados em suas fainas.
São muitos os processos nos quais políticos figuram como acusados?
Casse-se, pois, o chamado ‘foro privilegiado’. Cassado está.
Mas os processos envolvendo parlamentares representam apenas 1% do total que tramita (sem andar) na Casa…
O nosso é um Tribunal que leva, em média, cinco anos para jugar uma ação direta de inconstitucionalidade, e menos de 5% de suas decisões se devem ao Plenário.
O grosso são decisões monocráticas.
E, assim, porque o STF, letárgico, não julga, revogam-se os direitos para reduzir a quantidade de processos, pacificando o ócio remunerado dos sábios sabidos, que pouco param em Brasília, viajando de Seca a Meca, em simpósios e palestras remuneradas (às vezes de patrocínio pouco ortodoxo), ou mesmo em outras atividades profissionais em dia e horário de expediente.
Não há limites para a audácia antidemocrática.
Para o antigo advogado do Itaú (segundo o colega Gilmar Mendes, porém, seu escritório de advocacia ainda está em pleno funcionamento, isso é disputa entre eles… ), a vida parlamentar é cara, donde o melhor é acabar com o Poder Legislativo: “Num habeas corpus preventivo contra aqueles que questionam a legitimidade da Corte para exercer um poder majoritário sem votos para tanto, Barroso argumentava que o acesso ao Congresso tem um custo financeiro alto, que obriga alianças com interesses particulares. Já os juízes, selecionados pela meritocracia (sic), representariam melhor a vontade da sociedade” (“Os atropelos da história empurrada”, Maria Cristina Fernandes. Valor, 4/5/2018).
Tivéssemos hoje um Congresso, meramente de pé – e não acocorado – já encontraríamos aí razões suficientes para requerer o impeachment do ministro.
Ora, se o ministro quer legislar, que se desfaça da toga que ainda não fez por merecer, e vá para as ruas disputar no voto uma vaga na Câmara ou no Senado, porque numa democracia razoavelmente respeitável as questões constitucionais só se resolvem pelo Poder Legislativo, cujos representantes são escolhidos mediante o voto.
A quem beneficiaria a desconstrução da política? Ao povo, certamente, não.
As agressões à ordem constitucional servem à alcateia que anseia pela retomada do autoritarismo, requerido, como sempre, pela casa-grande e seus despachantes, mas já alcançando camadas significativas de nossa população, como se vê dos seguidores do capitão fascista, circulando entre aeroportos e quartéis.
O STF, enfim, não é confiável, e isso traz insegurança tanto ao cidadão comum, o povo-massa, quanto às instituições.
Não só pela proteção de imoralidades corporativas como o auxílio-moradia (e outros penduricalhos como auxílio-viagem, diárias, semana de quatro dias, apartamento funcional, automóvel na porta, ano de sete meses etc.) de juízes, desembargadores, ministros, procuradores et caterva, mas porque julga com dois pesos e duas medidas.
O mesmo STF que impediu a posse de Lula como ministro de Dilma Rousseff – abrindo caminho ao golpe que vinha a cavalo – não enxergou desvio de finalidade na nomeação do inefável Wellington Moreira Franco para o ministério do locatário do Jaburu, embora seja o novo ministro das Minas e Energia, objeto de processos nos quais é acusado de corrupção passiva.
Dizem seus críticos, sem atinarem pelas razões, que nossa Constituição é ‘detalhista’. Ora, foi esta a vacina que o Constituinte encontrou para defender a ordem constitucional de um Poder Judiciário no qual não podia confiar.
E a História, lamentavelmente, lhe está dando razão.